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Emprego para mulher cresce na AL, mas renda não

08/03 - 09:35 - Agência Estado

A América Latina teve o maior aumento porcentual de mulheres no mercado de trabalho em todo o mundo nos últimos dez anos. Mas as condições de trabalho a que elas estão sujeitas ainda estão entre as mais precárias e a renda, em muitos casos, não é suficiente para sustentar uma família.

As informações são da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que divulga hoje um relatório sobre a situação da mulher no mercado de trabalho para marcar o dia internacional da mulher e alerta: a pobreza no mundo está cada vez mais concentrada na parcela feminina da população e, embora políticas públicas tenham promovido certos avanços, foram insuficientes para reverter a situação.

A "feminização da pobreza" ocorre em parte por que quase metade das mulheres com idade para trabalhar não tem emprego. Entre os homens, esse índice é de 30%. Algumas regiões do mundo apresentam taxas mais baixas. No Oriente Médio e norte da África, por exemplo, apenas duas a cada dez mulheres trabalham. Há dez anos, a taxa de mulheres sem emprego no mundo era de 57,1%.

Nunca o total absoluto de mulheres trabalhando foi tão grande quanto agora. Dos 2,9 bilhões de trabalhadores no mundo, 1,2 bilhão são mulheres. Em 1996, elas eram 1,1 bilhão. Mas isso não significa por si só um avanço. Em regiões mais pobres, as mulheres foram obrigadas a trabalhar diante da miséria. O problema é que, na prática, a situação das mulheres hoje é a mesma de dez anos atrás. E o maior número de trabalhadoras não significou menor pobreza.

O relatório aponta que entre as pessoas que trabalham e não ganham o suficiente para alimentar suas famílias, 60% são mulheres e não ganham mais que US$ 1 por dia. O que mais preocupa a OIT é que a situação está estagnada desde meados dos anos 90.

No que se refere a América Latina, a OIT destaca alguns poucos avanços. Atualmente, 52,4% das mulheres com idade para trabalhar têm emprego. Há dez anos, eram apenas 47%. "A América Latina conseguiu atingir a média mundial", diz Dorothea Schmidt, autora do levantamento. Entre os homens, 79,4% dos que estão em idade de trabalho têm empregos.

Outra característica latino-americana foi a forte migração de mulheres trabalhadoras da agricultura para o setor de serviços - 75% das mulheres que trabalham na região estão nesse setor. Só os países ricos contam com uma taxa superior a essa, com 85%.

Segundo a OIT, outras regiões seguiram esse padrão. Em 2005, pela primeira vez, mais mulheres trabalharam no setor de serviços, 42%, que na agricultura, 40%.

Mas os problemas persistem na América Latina. De acordo com a OIT, a cada 100 homens economicamente ativos na região, há apenas 69 mulheres. Nos países ricos, a taxa é de 80 para cada 100. O desemprego entre as mulheres também é o dobro do que é registrado entre os homens e supera 10% .



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