A cervejaria belgo-brasileira InBev já é a maior do mundo. O faturamento da companhia atingiu US$ 16,7 bilhões em 2006, de acordo com resultado divulgado ontem.
Com isso, ela ultrapassa a gigante americana Anheuser-Busch, que teve vendas de US$ 15,7 bilhões no ano passado, e assume o primeiro lugar do ranking em receita. A InBev já era a maior do mundo em volume.
O melhor resultado da cervejaria veio da América Latina, sobretudo do Brasil e da Argentina, onde houve aumento nas vendas de bebidas. O consumo dos brasileiros cresceu graças à Copa do Mundo e o grupo vendeu 5,1% mais cervejas que no ano anterior no País. Na Argentina, um mercado em franca recuperação de consumo, o que turbinou os resultados foi o fato de a companhia ter comprado a quase totalidade das ações na cervejaria Quinsa - ela tinha 56,7% em 2005 e passou a deter 91,1% no ano passado.
Esse cenário de melhora nas vendas era esperado pelos analistas, mas eles foram surpreendidos pelo lucro histórico da companhia, especialmente nas Américas. O lucro líquido na região foi de US$ 1,1 bilhão - 81,5% superior a 2005. No mundo, o lucro da InBev aumentou 50% em relação ao ano anterior.
"Esperávamos um resultado bom, mas menor. Eles fizeram um excelente planejamento tributário e conseguiram melhorar ainda mais a eficiência, que já era alta", afirma o analista de bens de consumo da corretora Fator, Márcio Kawassaki.
O modelo operacional adotado pelos administradores da companhia no Brasil, que é pautado por uma política de acentuado cortes de custos, uma enorme pressão de todos os funcionários por resultados e máximo aproveitamento das brechas fiscais e tributárias, de tão bem sucedido vem sendo exportado para as outras praças onde o grupo está presente.
No Canadá, por exemplo, a cervejaria imprimiu rapidamente seu estilo agressivo e controverso. "Em 2005, a margem de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) era de 36%. No ano passado, subiu para 38,6%. No último trimestre, já estava em 42%, o que é muito bom para um mercado maduro como o canadense", avalia Kawassaki. O diretor-geral para a América Latina, Luis Fernando Edmond, garantiu que ainda há mais espaço para aumentar a rentabilidade no Canadá.
No resultado geral da InBev, o índice saiu de 28,6% para 31,9%. No Brasil, onde esse modelo particular de gestão foi criado, o Ebtida ainda cresce e hoje está em 47%, o maior dentro do grupo.
O esforço em cortar gastos não é exclusivo da InBev. O presidente mundial da cervejaria, Carlos Brito, assim como seus pares de Carlsberg e Heineken, estão empenhados em reduzir despesas para compensar o aumento dos preços das matérias-primas e das commodities.
A política de Brito está voltada também para mercados emergentes, como a América do Sul, onde a venda de cervejas cresce mais que a média mundial. O executivo já considera entrar na Índia e está de olho em países como Rússia e China, onde a sua maior adversária, a americana Anheuser-Busch, já está presente.
Cervejas Premium Outro ponto que mereceu destaque foi o crescimento das cervejas premium, pelo menos 15% mais caras que a média. No mercado interno brasileiro, as marcas Original e Bohemia cresceram, respectivamente, 31,6% e 22,3% no ano. O desempenho dessa categoria é celebrado por analistas porque eleva a rentabilidade da empresa.
No exterior, esse raciocínio também mereceu atenção dos analistas financeiros. Para eles, marcas especiais da InBev, como Stella Artois e Becks, com vendas estagnadas na Europa e nos Estados Unidos, têm mostrado até agora boas perspecitvas de crescimento em mercados emergentes.