As últimas mudanças no cardápio do McDonalds deram um sinal de alerta às cozinhas das grandes redes do mundo inteiro: o consumidor está cansado de comida gordurosa, açucarada e pouco nutritiva. A patrulha ao junk food foi o melhor aliado que os donos do Wraps poderiam ter.
Com uma proposta anti-McDonalds, Marcelo Ferraz e Caio Mesquita lotaram casas em São Paulo. Agora, três anos após a inauguração da primeira das nove lojas do Wraps, a dupla se prepara para inaugurar, em abril, uma segunda rede - a Go Fresh -, especializada em comida rápida e saudável.
A Go Fresh, ao contrário do Wraps, será uma típica rede de fast food. Ela seguirá o modelo clássico das praças de alimentação de shopping center: lojas pequenas, sem garçom, com preços em conta e entrega expressa. A diferença é o foco em refeições balanceadas. No caso, salada, carne grelhada e pães especiais.
A rede vai estrear com três lojas próprias em São Paulo, mas o plano é franquear o modelo a partir do primeiro ano de funcionamento. Das 50 lojas previstas para serem abertas em quatro anos, dois terços serão franquias. O motivo da opção é econômico. "Como cada loja é uma microempresa, os custos tributários e administrativos caem. Quase todas as redes funcionam assim", explica Ferraz. "Nesse modelo, a competição por custo é enorme." A nova proposta atraiu dois sócios do ramo, com participação em outras cadeias de fast food. Os nomes, por enquanto, são mantidos sob sigilo. O interesse desses sócios revela o potencial do negócio. "A demanda é enorme. Basta olhar a curva de crescimento dos produtos orgânicos, funcionais e light. Só não existem ainda muitos modelos de fast food bem desenvolvidos no Brasil", diz o sócio sênior da consultoria Gouvêa de Souza e MD, Alberto Serrentino. "Há redes na Europa dando muito certo." O império das pizzas e dos sanduíches está ameaçado. No Brasil, a Go Fresh é uma das precursoras dessa nova onda de comida saudável. Hoje, é quase obrigatório as redes de fast food mostrarem preocupação em oferecer refeições sem gordura trans e agrotóxicos, com mais saladas e menos frituras. "Cada vez mais as pessoas irão às praças de alimentação para comer comida light e saudável", diz o presidente da rede Spoleto, Eduardo Ourivio.
A rede Spoleto, que em oito anos abriu 160 lojas no País e sete no exterior, nasceu com essa preocupação. Ourivio, um surfista nas horas vagas, diz que só usa molhos caseiros, azeite extra-virgem e massa italiana nos pratos montados pelos próprios clientes.
Em janeiro, o Spoleto passou a explorar melhor esse conceito, aumentando as opções de salada e informando aos clientes que elas também são estrelas do cardápio. "Apesar de vender salada desde o começo, muita gente não sabia. Com a mudança, o consumo quase dobrou em relação à média do trimestre anterior", diz Ourivio. No ano passado, a rede já havia vendido mais de 1 milhão de saladas. Agora, quem come no Spoleto verá dicas de alimentação saudável nos forros de papel das bandejas. Sinal dos tempos.