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Notícia de fusão puxa ações de InBev e Anheuser-Busch

15/02 - 16:05 - Reuters

Por Simon Rabinovitch e Philip Blenkinsop LONDRES/BRUXELAS (Reuters) - As ações da InBev, a maior cervejaria do mundo, atingiram recorde de alta nesta quinta-feira após o jornal 'Valor Econômico' ter afirmado em reportagem que a empresa com sede na Bélgica está em conversas preliminares para fusão com a norte-americana Anheuser-Busch.

As ações da InBev, produtora das cervejas Stella Artois, Beck's e Brahma, encerraram o pregão em Bruxelas a 52,80 euros, alta de 4,04 por cento. No meio dos negócios, os papéis chegaram a ser negociados a 55,70 euros.

Os papéis da Anheuser-Busch, dona da marca Budweiser, exibiam valorização de 3 por cento na bolsa de Nova York, a 51,75 dólares.

O jornal brasileiro publicou reportagem afirmando que conversas entre a InBev e a Anheuser-Busch ainda estariam em um estágio preliminar, citando fonte próxima aos três brasileiros que estão no Conselho da InBev.

O jornal também citou uma fonte de um banco de investimento afirmando que uma fusão entre as empresas tem grande chance de acontecer um dia.

Tanto Inbev como Anheuser-Busch recusaram-se a comentar o assunto.

Um operador na Europa afirmou que a notícia parece fraca, mas não pode ser descartada. 'Poderia forçar outros 'players' do setor de cerveja a fazer acordos, de maneira parecida com o que nós vimos nas consolidações da indústria do tabaco', observou.

As ações de outras produtoras européias de cerveja também registraram valorização, diante da expectativa de consolidação na indústria. As ações da Heineken avançaram 2,3 por cento e as da SABMiller subiram 1,87 por cento.

O jornal relata que o valor de mercado da InBev no final de 2006 era de 40,3 bilhões de dólares, contra 37,7 bilhões de dólares da Anheuser-Busch. O jornal menciona uma fonte afirmando que isso daria à InBev a possibilidade de negociar uma fusão com a Anheuser em melhores condições.

A InBev foi formada a partir da união da belga Interbrew e a brasileira AmBev, em 2004.

DOMINÂNCIA GLOBAL

Analistas, contudo, questionaram o valor de um acordo.

Se apenas tamanho e imagem fossem decisivos, uma fusão faria todo o sentido. A InBev é a maior cervejaria em volume de produção, enquanto a Anheuser é líder global em faturamento.

'O domínio global da indústria da cerveja é o principal objetivo da InBev', disse o analista Andrew Holland, do Dresdner Kleinwort.

Porém, a InBev precisaria comprovar ganhos de sinergia e de custos para justificar um movimento de união com a empresa norte-americana.

O analista Simon Hales, do JP Morgan, também disse que uma aliança entre as duas não poderia ser descartada, particularmente devido à tendência de consolidação na indústria de cerveja.

Como operam em mercados distintos, um acordo entre InBev e Anheuser enfrentaria pouca resistência de reguladores, mas limitaria as sinergias, dado que a empresa norte-americana já distribui nos Estados Unidos as cervejas importadas da InBev, acrescentou.

Em 2004, analistas disseram que Interbrew e AmBev tinham pouca sobreposição geográfica, mas mesmo assim as companhias prometeram sinergias de 280 milhões de euros pela combinação dos negócios.

Em caso de união entre InBev e Anheuser, acordos com fornecedores poderiam gerar alguns benefícios, e a InBev sairia ganhando ao distribuir a cerveja Budweiser para um mercado maior.

A Anheuser poderia precisar mais da InBev do que o inverso, devido ao limite de alcance da empresa norte-americana. Os EUA representam cerca de 82 por cento do volume de vendas de marcas próprias da Anheuser e seria um mercado limitado para os produtos da InBev.

A InBev levou o Orçamento Base-Zero do Brasil para a Europa, que tem como objetivo redução de custos.

Analistas afirmaram que o mesmo conceito poderia ser levado à Anheuser.

(Reportagem adicional de Axel Bugge, Elzio Barreto e Todd Benson)



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