13/02 - 09:50 - Valor Online
CAMPINAS - A CPFL Energia não esquecerá tão cedo o ano de 2006. Com um acréscimo no volume de vendas do insumo de 7,2% (para 41,1 mil gigawatts hora), aliado ao aumento de tarifas autorizado pelo órgão regulador entre 10,2% e 10,8% para suas distribuidoras, além de melhoria da eficiência operacional e de uma política de aquisições, a companhia presidida por Wilson Ferreira Jr.
registrou o maior lucro líquido de sua história: R$ 1,404 bilhão. Resultado que é 37,5% maior que os R$ 1,021 bilhão de 2005. Na comparação dos quarto trimestres, contudo, a companhia foi obrigada a conviver com um resultado menor. Entre outubro e dezembro de 2006, a empresa alcançou lucro líquido de R$ 345,3 milhões, ante os R$ 380,7 milhões obtidos em igual período de 2005. Mas o vice-presidente Financeiro da CPFL, José Antonio Filippo, explica ao Valor que o ganho maior em 2005 decorreu da contabilização de créditos fiscais gerados a partir de prejuízos obtidos em anos anteriores. A CPFL controla as distribuidoras paulistas Piratininga, Paulista, Companhia Luz e Força Santa Cruz, adquirida em outubro de 2006 por R$ 203 milhões, e 32,69% da gaúcha RGE, comprada em maio de 2006 por R$ 383 milhões. Além disso, possui a comercializadora de energia no mercado livre CPFL Brasil e também é dona ou controladora de empreendimentos de geração.O fato é que, com exceção dessa comparação, a CPFL melhorou quase todos os seus indicadores. A receita líquida, por exemplo, pulou de R$ 7,74 bilhões em 2005 para R$ 8,91 bilhões em 2006. O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (lajida) subiu de R$ 2,12 bilhões em 2005 para R$ 2,78 bilhões no ano passado.'Nós também tivemos uma melhora substancial na produtividade e no custo, que impactou na nossa geração de caixa', afirma o presidente da companhia, Wilson Ferreira Jr. Em outras palavras, o executivo explica que houve um acréscimo de 8,5% na produtividade em 2006, uma vez que cada funcionário da CPFL foi responsável por 7,462 mil megawatts/hora (MWh), ante o índice de 6,87 mil de 2005. Já o custo do MWh distribuído caiu 5%.Felipe Cunha, analista de Energia da Brascan Corretora, em uma análise prévia sobre os resultados da CPFL, já calculava um lucro líquido de R$ 325 milhões para o quarto trimestre deste ano, bem próximo dos R$ 345,3 milhões que a companhia aferiu no período. Além disso, informava que os 'números previstos não deverão trazer maiores impactos para a performance das ações da companhia'. O analista ainda reforçava sua posição de compra para os papéis, principalmente porque há um substancial aumento na capacidade de geração da empresa no futuro, podendo alcançar 2 mil megawatts (MW) em 2010.Movimento este que já pode ser identificado nos atuais números da companhia. Entre o quarto trimestre de 2006 e igual período de 2005, por exemplo, a participação da geração cresceu 37% na receita líquida, ao passo que a área de comercialização aumentou 16% e a distribuição outros 16%. O crescimento da área de geração de energia é decorrente de um elevado programa de investimentos. Tanto que entre 2006 e a estimativa para 2010, estima-se que a CPFL agregue praticamente mais 1000 MW à sua potência instalada. Isso significa sair de uma capacidade de 1,072 mil MW para 2,087 mil MW no período. Para viabilizar esse acréscimo, a empresa planeja investir R$ 1,32 bilhões entre 2007 e 2010. E um bom exemplo sobre onde irá alocar seus recursos é a usina hidrelétrica de Foz do Chapecó. Prevista para operar em meados de 2010, o empreendimento iniciou suas obras em dezembro passado. A previsão é de investimentos totais de R$ 2,2 bilhões, sendo que a CPFL por possuir 51% da empreitada responde por aproximadamente R$ 1,1 bilhão. 'Foz do Chapecó deverá acrescentar uma receita anual de R$ 245 milhões', diz Ferreira Jr.(Maurício Capela | Valor Econômico)
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