08/02 - 13:59 - Reuters
Por Renata de Freitas SÃO PAULO (Reuters) - A simplificação da estrutura do grupo Vivo, maior operadora de telefonia móvel do país, garantiu lucro para a holding em 2006, graças a benefícios fiscais registrados no último trimestre do ano.
O lucro consolidado de 16,3 milhões de reais em 12 meses teria sido negativo se desconsiderados o crédito fiscal de 740 milhões de reais e a reversão de Pis e Cofins de 136 milhões de reais, ambos lançados na demonstração de resultado do quarto trimestre. Em 2005, o prejuízo anual havia sido de 594 milhões de reais.
Calculando ainda uma baixa de ativos de 278 milhões de reais feita nos últimos três meses do ano, o lucro no período foi de 885,6 milhões de reais. Assim, a Vivo anulou o prejuízo de 869,3 milhões de reais acumulado nos primeiros nove meses de 2006.
Embora as ações da empresa subissem mais de 4 por cento por volta das 12h45, para 8,70 reais, não existe a expectativa no mercado nem o compromisso da empresa de repetir lucro nos próximos trimestres. O presidente da Vivo, Roberto Lima, evitou fazer previsões, mas elencou os desafios.
'Este é um setor em que a despesa comercial pesa, como se vê pelos resultados das empresas. É um setor extremamente pressionado', afirmou a jornalistas, na sede, ao dar explicações sobre o balanço.
O analista de telecomunicações do banco Banif, Roger Oey, é cético sobre resultados líquidos positivos subsequentes, no entanto, está atento a indícios de uma retomada do uso do celular na Vivo e em outras operadoras.
'O setor teve melhora de uso, como se viu pelos números da Brasil Telecom e da Vivo... Pode ser o primeiro sinal de reversão de tendência', comentou. Promoções e bônus no último trimestre funcionaram como estímulo ao uso do celular, mas Oey alertou que ainda é cedo para afirmar que se trata de um movimento contínuo.
O presidente da Vivo reconheceu que 'o crescimento do tráfego não é casual, mas estimulado por ações de marketing'.
Ele deu como exemplo o corte de 40 por cento no preço das mensagens curtas em São Paulo, o que estimulou o uso, garantindo estabilidade da receita.
A empresa divulgou crescimento de 5,1 por cento no tráfego (Minutes of Use ou MOU) e de 6,6 por cento na receita média por usuário (Arpu) entre o terceiro e o quarto trimestres.
'Os números mais recentes mostram crescimento acelerado da relação da empresa com seus clientes e do uso de serviços', afirmou Lima em encontro com analistas, apontando depois uma 'curva acelerada' na venda de placas para transmissão de dados.
Apostando nesse movimento, a corretora Ativa mudou a recomendação das ações da Vivo de 'venda' para 'neutro'.
'Acreditamos que, sendo bem sucedida no estanque da perda de market share, em especial nos clientes de alto valor, a Vivo tem condições de apresentar melhora adicional de rentabilidade ao longo de 2007', afirmou a analista Luciana Leocádio em nota.
Alegando razões estratégicas, a empresa passou a não divulgar mais os números de clientes pós e pré-pago, nem a receita média de cada categoria.
NÚMEROS
A Vivo fechou 2006 com 29,053 milhões de clientes, queda de 2,5 por cento em 12 meses, mas com recuperação de 1,1 por cento entre final de setembro e dezembro. A participação no mercado brasileiro caiu 1,1 ponto percentual, de 39,3 para 38,2 por cento em 2006.
A receita líquida no quarto trimestre foi de 2,93 bilhões de reais, queda de 1,7 por cento na comparação com os três últimos meses de 2005 e evolução de 4 por cento em relação ao terceiro trimestre. No ano, o faturamento ficou em 10,9 bilhões de reais, 2,8 por cento menos do que o obtido em 2005.
A geração de caixa medida pelo Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) somou 857,6 milhões de reais de outubro a dezembro, ante 650,1 milhões de reais no mesmo intervalo do ano anterior. No ano, o Ebitda da companhia somou 2,596 bilhões de reais, queda de 14,1 por cento em relação a 2005. A margem Ebitda no quarto trimestre foi de 29,2 por cento, mas sem o efeito de 126 milhões de reais da reversão de Pis e Cofins teria ficado em 24,9 por cento.
A empresa também anunciou redução forte na provisão para devedores duvidosos (PDD), chegando a 1,8 por cento da receita bruta, a menor taxa em dois anos. A Vivo alertou, no entanto, que esse número não deve ser tomado como patamar.
(Colaborou Alberto Alerigi Jr.)
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