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Lagosta: restrição à pesca não deve afetar exportação

04/02 - 14:49 - Agência Nordeste

RECIFE – Com as medidas implementadas pelo governo para regularizar a pesca da lagosta, que incluem algumas restrições, há dúvidas de como será a reação do mercado.

Conforme explicou o ministro da Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca (Seap), Altemir Gregolin, com a prática das novas regras, o volume de captura da lagosta será mantido num nível aceitável, de forma a não comprometer os estoques do crustáceo.

“O que vai se impedir é uma quantidade de embarcações acima da capacidade de recuperação dos estoques, impedindo, também, a captura da lagosta miúda”, detalhou.

O ministro disse que os trabalhadores dessa cadeia produtiva, que emprega cerca de 150 mil pessoas no Brasil, têm relatado que a atividade não está mais gerando lucro.

“Hoje os pescadores dizem que não dá mais para viver da lagosta. Agora, esperamos que os que vivem da pesca possam ter uma renda melhor”, contou.

O presidente do Conselho Nacional de Pesca (Conepe), Fernando Ferreira, avaliou que o mercado não deverá se retrair por conta dessas medidas. “Não haverá retração. Vai ajudar, porque hoje a pesca está sendo deficitária economicamente”, relatou.

Ele acredita que, a partir da melhoria dos estoques, as exportações poderão ganhar mais fôlego. “Com a diminuição da frota, deve haver mais investimentos em barcos maiores e mais adequados para armazenar um produto para exportação.

Além disso, quando a qualidade melhora, o produto entra numa faixa de preço melhor no mercado internacional. Se tiver qualidade, dá para aumentar o preço de 15% a 20%”, estimou. O empresário Markin Klinberg, do Ceará, foi mais cauteloso ao avaliar os impactos que as medidas deverão causar nas exportações.

Para ele, no primeiro momento, poderá haver retração no mercado, o que poderia ser recuperado em até quatro anos. “Em curto prazo, pode ter diminuição temporária (das exportações), mas com o tempo vai haver a retomada da produção. Acredito que em três a quatro anos possa se recuperar as exportações”, calculou.

Hoje, os maiores exportadores de lagosta são Ceará e Pernambuco, com 44% e 35% do total nacional, respectivamente. Os maiores compradores são os Estados Unidos e países da Europa.



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