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ISA Capital do Brasil emite US$ 554 milhões em bônus

02/02 - 12:08 - Valor Online

SÃO PAULO - A ISA Capital do Brasil acaba de emitir US$ 554 milhões em títulos no mercado internacional. A empresa, controlada pela empresa colombiana Interconexión Eléctrica (ISA), cujo principal acionista é o governo da Colômbia, foi criada para adquirir a Cia.

de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (Cteep). Segundo Fernando Augusto Rojas, presidente da ISA Capital do Brasil, os recursos serão usados para financiar a compra da Cteep. Ele descartou a busca de um sócio na Cteep, o que chegou a ser cogitado inicialmente pelo gerente geral da ISA, Javier Gutiérrez. ' Resolvemos que a ISA fica mais confortável conservando a posição atual ' , afirmou o executivo. Para adquirir o bloco de controle da Cteep, a ISA do Brasil pagou US$ 550 milhões no dia 19 de julho, conforme previsto no leilão. Do total, US$ 230 milhões vieram sob a forma de capital da controladora colombiana e os outros US$ 320 milhões sob a forma de empréstimo-ponte, que foi tomado pela matriz junto aos bancos JPMorgan e ABN AMRO. O empréstimo tinha vencimento em seis meses, mas foi prorrogado até o final de janeiro. Na fase do chamado ' tag-along ' - pagamento aos minoritários do mesmo valor pago ao acionista controlador - obrigatório, no dia 12 de janeiro, a ISA do Brasil desembolsou outros US$ 352 milhões, dos quais US$ 149 milhões vieram da controladora colombiana sob a forma de capital e US$ 204 milhões sob a forma de dívida. Rojas não quis revelar o valor dos juros mais comissões pagas nos dois empréstimos-ponte ' para não criar desconforto aos bancos ' , mas disse que geralmente o custo de tais operações fica em torno de Libor, a taxa interbancária de Londres, mais 3% a 5% ao ano. Os US$ 554 milhões obtidos com os bônus vieram substituir os empréstimos-ponte, alongando prazos e reduzindo os custos da dívida. A primeira parcela dos títulos emitidos, no valor de US$ 200 milhões, têm prazo de vencimento em 5 anos e taxa de juros de 7,875% ao ano, com opção de resgate antecipado pelo emissor ( ' call ' ) nos anos 2010 e 2011. A segunda parcela, de US$ 354 milhões, tem prazo de 10 anos e paga rendimento de 8,8% ao ano. Segundo comunicado da empresa, do total dos bônus emitidos, 60% foram distribuídos nos Estados Unidos, 36% na Europa, 2% na América Latina e 2% na Ásia. A demanda total chegou a US$ 4,6 bilhões. Rojas informou que a controladora Interconexión Eléctrica não tem papéis nas mãos dos investidores internacionais. ' A captação nos deixou muito satisfeitos, pois foi acolhida com forte apetite pelos investidores internacionais ' , disse. Segundo Paulo Mendes, vice-presidente do JPMorgan, com a aquisição da Cteep, a ISA se tornou a maior empresa especializada em transmissão da América Latina. O fato de a holding estar tomando os recursos e não a empresa operacional geradora de caixa foi um dos desafios na venda do papel, informa Mendes. Além disso, a concessão da Cteep expira antes do vencimento do bônus, explicou ele. No entanto, segundo Mendes, as apostas no Brasil e na própria Cteep são muitas, principalmente porque a empresa ainda tem espaço para melhoria operacional. A controlador colombiana também trouxe conforto aos 190 investidores que participaram da compra, com destaque para os institucionais, ' que estão em busca de retorno mais altos e de estruturas mais complexas ' . Os bônus estão listados na Bolsa de Luxemburgo e podem ser transacionados no Portal Market da Nasdaq, informou a empresa. Os papéis contaram com classificação de risco de crédito da Standard & Poor´s ( ' BB- ' , com perspectiva positiva) e da Fitch Ratings ( ' BB ' , com perspectiva estável) iguais aos ratings da dívida do governo federal brasileiro. Rojas disse estar satisfeito com a estrutura da ISA Capital do Brasil, que tem 58% de dívida e 42% de capital, e informou que a empresa não pretende fazer novas captações no curto prazo. ' Vamos usar o potencial de alavancagem da Cteep ' , afirmou. Os investimentos da transmissora, no entanto, devem ser financiados preferencialmente com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES). Segundo rumores no mercado internacional, a Companhia Siderúrgica Nacional estaria planejando emitir títulos no mercado externo de vencimento em 30 anos, agora que foi definido que a Tata levou a Corus, de acordo com o ' IFR Markets ' . A siderúrgica poderia aproveitar o momento e realizar uma oferta pública de recompra antecipada de títulos com cupom (juro nominal) maior e trocar por papéis de mais longo prazo e cupom menor. (Cristiane Perini Lucchesi | Valor Econômico )

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