Juan Lara Roma, 31 jan (EFE).- O grupo automobilístico Fiat apresentou hoje em Roma o novo modelo Bravo, considerado vital na estratégia de relançamento da firma de Turim, que espera fabricar anualmente 120 mil unidades do automóvel, que serão comercializadas em 60 países, entre eles Espanha, China, Turquia e Brasil.
O novo Bravo foi apresentado pelo presidente do grupo, Luca Cordero di Montezemolo, que disse que o modelo é uma "criação maravilhosa", e pelo conselheiro delegado, Sergio Marchionne, que afirmou que, com este lançamento, que competirá no segmento dos compactos, "vira-se uma página" da história da Fiat, em uma referência aos anos de crise.
"O Bravo será o automóvel-símbolo da mudança que coloca a Fiat no futuro", afirmou Marchionne, destacando que o intervalo entre o desenho e o lançamento do automóvel foi de apenas 18 meses, "o que demonstra que a Fiat é capaz de responder à velocidade do mercado e a um público que espera o melhor".
Marchionne não falou de eventuais novas alianças, limitando-se a afirmar que o grupo "está trabalhando" e que espera fazer um anúncio ainda no primeiro semestre.
O conselheiro destacou que, com o Bravo, a Fiat retorna ao segmento "c" (de compactos), do qual estava fora há anos. Segundo fontes do setor, dos 12 milhões de automóveis vendidos na Europa, 25% pertencem a essa categoria.
A empresa italiana, segundo Marchionne, espera ter "uma reviravolta" com este modelo e alcançar, em 2010, vendas totais de 2,8 milhões de veículos. A Fiat quer chegar aos 3,5 milhões nos anos seguintes, o que significaria ganhar duas posições na classificação de construtores de automóveis do mundo.
A Fiat investiu € 250 milhões no novo Bravo. O modelo é produzido na fábrica de Cassino, no sul da Itália, e combina uma linha "muito italiana" de cinco portas, segundo Montezemolo, com um amplo interior e um porta-malas espaçoso.
O carro, que será comercializado em doze cores, mede 4,34 metros de comprimento; 1,79 de largura e 1,49 de altura. O porta-malas tem capacidade de 400 litros.
As novas tecnologias também foram aplicadas ao Bravo, que contará com um sistema de navegação desenvolvido pela Fiat junto à Microsoft, assim como diferentes serviços de telecomunicação.
Os preços irão de € 14.900 a € 22.800, dependendo de suas cinco versões, desde a básica, Bravo, até a superior, Sport. Luca de Meo, conselheiro delegado da Fiat-Auto, informou que o carro chegará às lojas italianas no dia 3 de fevereiro.
O lançamento do novo Bravo foi acompanhado pelo lançamento do novo logotipo da Fiat, cujas clássicas iniciais aparecem agora dentro de um círculo.
Em sua expansão, a Fiat colocará 46 veículos no mercado nos próximos quatro anos, entre modelos novos e atualizados. Marchionne disse que só neste ano serão onze novos modelos de todas as marcas do grupo (Fiat, Alfa Romeo, Lancia, Iveco, New Holland).
Nos próximos meses, sairá o novo Linea, destinado ao mercado de fora da Europa e que começará a ser comercializado na Turquia.
Depois do Linea, serão lançadas a nova versão do Fiat 500 e as versões esportivas do Lancia Ypsilon, do Phedra e do Lancia Delta HPE. A Alfa Romeo trabalha no novo 159 Crosswagon, no 8C de competição e no Alfa Júnior.
Aos anteriores se unirão, entre outros, o Iveco Daily 4X4, o Iveco Massif de cinco portas e o novo Scudo.
A apresentação oficial foi precedida por uma luxuosa festa no Stadio dei Marmi, de Roma - construído por Mussolini em mármore de Carrara em 1932, cercado por 62 grandes estátuas de atletas -, na qual houve um espetáculo do Cirque du Soleil e que contou com a presença de mais de duas mil pessoas, entre elas 800 concessionários da Fiat e 800 jornalistas vindos de diferentes países.
O Bravo foi apresentado poucos dias depois de o grupo informar que obteve um lucro líquido de € 1,151 bilhão em 2006, o que permitiu que o conselho de administração propusesse a distribuição de um dividendo pela primeira vez desde 2002.
O lucro operacional foi de € 2,061 bilhões, abaixo dos € 2,215 bilhões registrados em 2005.
Marchionne afirmou que a previsão do lucro líquido para este ano é de entre € 1,6 bilhão e € 1,8 bilhão. EFE jl tc/dgr