25/01 - 15:23 - Reuters
BRASÍLIA - O Brasil registrou em 2006 superávit em conta corrente pelo quarto ano consecutivo, favorecido pelo saldo recorde da balança comercial. Mas o forte fluxo de remessas de lucros e dividendos feitas pelas empresas levou o saldo a cair frente ao ano anterior pela primeira vez desde 2003.
No ano passado, as transações correntes tiveram superávit de 13,528 bilhões de dólares, ou 1,41 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), contra 13,985 bilhões de dólares, ou 1,76 por cento do PIB em 2005, mostraram números do Banco Central nesta quinta-feira.
A balança comercial teve um superávit de 46,074 bilhões de dólares em 2006. As remessas de lucros e dividendos feitas por empresas ao exterior, por outro lado, somaram 16,354 bilhões de dólares no ano, valor também recorde.
O crescimento das remessas resulta da combinação de um câmbio valorizado, do aumento do estoque de investimento estrangeiro no país e da rentabilidade das empresas, afirmou o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes. Ele destacou que a previsão é que as remessas permaneçam elevadas em 2007 --a última projeção do BC é de 35 bilhões de dólares.
'A expectativa é que você realmente tenha essa mudança de patamar', afirmou Lopes a jornalistas. Ele acrescentou que a saída de recursos deve ser amenizada, em parte, por um crescimento das receitas com remessas, uma vez que a presença de empresas brasileiras no exterior também está crescendo. 'Mas as despesas vão continuar em alta', disse.
Segundo Lopes, as remessas de lucros e dividendos tendem a ser mais elevadas de dezembro a março, período em que as empresas estão fechando seus balanços.
INVESTIMENTOS
Os investimentos estrangeiros diretos somaram 2,487 bilhões de dólares no mês passado, levando o investimento acumulado no ano a 18,782 bilhões de dólares --o maior volume desde 2001. Em dezembro de 2005, os investimentos estrangeiros diretos no país haviam sido de 1,406 bilhão de dólares, enquanto no ano todo haviam somado 15,066 bilhões de dólares.
Apesar de elevado, o volume de investimentos estrangeiros no Brasil em 2006 ficou aquém dos 27,251 bilhões de dólares investidos por empresas brasileiras no exterior. Esse resultado, segundo o BC, foi impactado pela operação de compra da mineradora canadense Inco pela Companhia Vale do Rio Doce, no valor de 14,6 bilhões de dólares.
Mas, mesmo descontando essa operação, o volume de investimentos é bem superior aos 2,517 bilhões de dólares registrados em 2005.
Para Lopes, o crescimento de investimentos brasileiros no exterior reflete um esforço das empresas de diversificar seus riscos e de se aproximar dos mercados compradores e das fontes de matérias-primas.
Questionado se também não seria um reflexo de condições negativas de investimento no país. Lopes negou, argumentando que o investimento estrangeiro no país está em alta.
Para janeiro, o BC projeta que as transações comerciais fechem o mês em equilíbrio (saldo zero) e que o investimento estrangeiro direto, que está em 1,9 bilhão de dólares até esta quinta-feira, some 2,2 bilhões de dólares.
Em dezembro, o superávit em transações correntes ficou em 388 milhões de dólares.
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