Washington - O grupo automobilístico Ford obteve os piores resultados dos seus 103 anos de história, ao acumular perdas de US$ 12,7 bilhões em 2006, panorama que não melhorará este ano, segundo a empresa reconheceu nesta quinta-feira.
A Ford não só superou seu próprio recorde de perdas -o pior ano desde 1992, quando perdeu US$ 7,4 bilhões -, mas também ultrapassou amplamente os números negativos registrados pela General Motors em 2005, quando esta, que é a maior fabricante mundial de automóveis, perdeu US$ 10,6 bilhões.
E a Ford ainda não chegou ao fundo do poço.
Para 2007, a companhia prevê que a situação não melhorará, e que perderá fatias do mercado até o terceiro trimestre do ano na América do Norte.
Tanto a Ford como os analistas do setor já esperavam as más notícias.
Em dezembro, documentos internos da Ford obtidos por meios de comunicação americanos revelaram que os diretores da empresa previam que, pela primeira vez na história, o fabricante japonês Toyota venderia mais carros que a Ford nos Estados Unidos.
Apesar dos maus resultados, a Ford e seu novo conselheiro delegado, Alan Mulally, tentaram controlar o prejuízo.
A Ford destacou que as perdas do ano, excluídos os artigos especiais, foram de apenas US$ 2,8 bilhões. Os custos relacionados com a reestruturação das operações do fabricante na América do Norte chegaram a US$ 11,9 bilhões.
Mulally, que já reestruturou a Boeing na década de 1990, justificou os resultados ao afirmar que começou "a tomar ações agressivas em 2006, para reestruturar o setor de automóveis e para operar com rentabilidade, com volumes menores".
No entanto, o conselheiro delegado reconheceu o tamanho da crise em que a Ford está.
"Reconhecemos a realidade de nossa empresa, e estamos enfrentando-a. Temos um plano e estamos a caminho de executá-lo", acrescentou Mulally.
O outro ponto otimista de 2006 é que as operações na Europa e na América do Sul foram rentáveis durante todo o ano, assim como os resultados dos Serviços Financeiros do Grupo (que inclui a Ford Motor Credit), que tiveram lucro de US$ 1,9 bilhões.
Durante 2006, as vendas e receitas alcançaram os US$ 160,1 bilhões, muito abaixo dos US$ 176,9 bilhões registrados em 2005.
Os números do último trimestre de 2006 foram especialmente altos.
Enquanto em 2006 as perdas foram de US$ 5,8 bilhões, em 2005 tinham sido de US$ 74 milhões.
Mesmo excluindo os artigos especiais, as perdas foram de US$ 2,1 bilhões, frente aos US$ 285 milhões do mesmo período de 2005.
As vendas e receitas dos últimos três meses de 2006 foram de US$ 40,300 bilhões. Um ano antes, tinham sido de US$ 46,300 bilhões.
Para o conjunto do ano, as perdas do setor automotivo da Ford foram de US$ 5,2 bilhões. Há um ano, a empresa teve lucro de US$ 993 milhões. Quase a metade destas perdas foi acumulada durante o último trimestre de 2006, em consequência dos resultados da Ford na América do Norte.
Nessa região, a Ford perdeu US$ 6,1 bilhões durante 2006, após acumular vendas no valor de US$ 69,4 bilhões, US$ 11,2 bilhões a menos que no ano anterior.
As receitas do setor automotivo durante o ano foram de US$ 143,3 bilhões (US$ 153,5 bilhões em 2005).
No total, o Grupo Ford vendeu 6.597.000 veículos durante o ano, 170 mil a menos que em 2005.
O efetivo acumulado pelo setor automotivo até 31 de dezembro de 2006 era de US$ 33,9 bilhões.
Na Europa, a Ford ganhou US$ 469 milhões (melhor que os US$ 396 milhões de 2005), com vendas totais de US$ 30,4 bilhões, superiores aos US$ 29,9 bilhões do ano anterior.
Na América do Sul, o lucro foi de US$ 551 milhões, US$ 152 milhões a mais que em 2005.
Mas o Premier Automotive Group (que reúne Jaguar, Land Rover, Aston Martin e Volvo) perdeu US$ 327 milhões, apesar de este conjunto ter ganho US$ 191 milhões.