Os bancos e financeiras de todo o País devem centrar fogo durante o ano para ampliar a quantidade de empréstimos liberados aos consumidores, sobretudo por meio das linhas de microcrédito. O lado bom é que, na briga pelos clientes, as empresas deverão baixar as taxas de juros para não perder espaço para os concorrentes, beneficiando quem está em busca de dinheiro para pagar contas ou cobrir gastos.
O investimento nos setores de microcrédito era esperado, segundo o consultor e ex-economista chefe da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) Roberto Luís Troster. Trata-se apenas de mais uma forma de buscar soluções para aumentar o volume de empréstimos bancários, mesmo que, para conseguir isso, seja necessário reduzir os juros.
Porém, o corte nas taxas só é possível porque a Selic, o índice básico dos juros bancários, está em queda desde o ano passado, favorecendo a liberação de dinheiro com porcentuais mais convidativos para os consumidores. Em 2006, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa gradativamente no decorrer do ano. Com isso, o índice passou de 18% (em janeiro) para 13,25% (em dezembro).
Teoricamente, segundo especialistas, os juros bancários devem ser baixados toda vez que a Selic sofre reduções. "A economia brasileira está em crescimento e, atualmente, há poucos riscos para os credores. Isso faz com que os bancos se sintam mais confortáveis para liberar empréstimos", esclareceu Miguel de Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).
A farta oferta de crédito no mercado deverá favorecer ainda mais os tomadores de empréstimos, pois a concorrência entre os bancos e as reduções na Selic certamente vão resultar na queda dos juros. O cenário econômico favorece a redução das taxas e, para não perder espaço no mercado, os bancos deverão buscar índices ainda mais baixos, para se destacar dos concorrentes.
Ainda assim, a Anefac não acredita que a redução nas taxas será tão grande. Para a entidade, os cortes serão sutis, percebidos aos poucos pelas pessoas.
Há alguns anos, até mesmo redes do varejo, como Pernambucanas e Marisa, por exemplo, ingressaram no mercado financeiro com ofertas de crédito e seguros, em parceria com agentes financeiros. Espera-se que, em 2007, essas empresas consigam ampliar a quantidade de empréstimos concedidos em pelo menos 15%.
Crédito fácil
Outro ponto que deve ampliar a liberação de microcrédito em 2007 é a burocracia. A briga pelos clientes, conta Oliveira, está fazendo com que as instituições de crédito reduzam também as exigências necessárias para liberar o dinheiro.
Com isso, algumas empresas do setor, principalmente financeiras, já permitem que trabalhadores do mercado informal - ou seja, sem registro em carteira de trabalho - tomem empréstimos.
Em outros bancos, deixou-se de exigir a apresentação de fiadores mesmo para operações com volumes mais altos. "O motivo para isso é que os bancos têm certeza, pela conjuntura econômica do País, de que a Selic vai cair ainda mais durante o ano", ponderou Oliveira. "Esse é o momento ideal para fidelizar clientes: o objetivo é conceder empréstimos agora, quando os juros estão um pouco mais elevados, pois em breve certamente vão cair, diminuindo o lucro", analisou o vice-presidente da Anefac.