Foco deverá ficar voltado para commodities e bolsas norte-americanas; internamente Copom e PAC merecem atenção
SÃO PAULO - A terceira semana de janeiro foi marcada pela instabilidade. No entanto, quando consideramos a carregada agenda de indicadores, podemos concluir que o mercado de capitais doméstico até que saiu bem. O Ibovespa, principal índice acionário do país, acabou fechando em alta e acima dos 43 mil pontos.
As negociações foram bastante influenciadas pela evolução dos preços das commodities, principalmente metálicas e energéticas. Devido ao maior nível dos estoques mundiais para esta época do ano, maiores temperaturas do inverno no hemisfério-norte e redução das estimativas de crescimento da demanda, o barril da commodity chegou a atingir o menor patamar desde maio de 2005 em Nova York.
Outra variável acompanhada de perto pelo mercado foi a série de importantes indicadores econômicos publicados nos Estados Unidos. Se por um lado os dados referentes à maior economia do planeta reiteram as apostas de desaceleração suave da atividade, por outro, sugeriram um menor espaço para queda do juro básico no curto prazo.
Perspectivas para o Ibovespa
A percepção dos analistas consultados pela InfoMoney é de que os próximos pregões podem ser um pouco menos voláteis para as negociações na Bovespa. Otimista, Rossano Oltramari, da XP Investimentos, trabalha com a hipótese de algum ajuste para cima nas cotações.
O analista avalia que, se o petróleo permanecer acima dos US$ 50 o barril, as ações da Petrobras e o mercado como um todo tendem a ser beneficiados. A equipe da Concórdia Corretora também visualiza um cenário mais favorável e, mesmo considerando volatilidade em suas previsões, aposta em um melhor desempenho para o Ibovespa.
A ressalva, feita por Luiz Roberto Monteiro, da corretora Souza Barros, é de que, devido à fraca agenda de indicadores internacionais da próxima semana, o foco dos investidores deverá ficar voltado para a evolução dos preços das commodities e desempenho das bolsas norte-americanas.
Copom: não existe consenso
Internamente, Luiz Roberto acredita que as atenções estarão voltadas para o anúncio do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), na segunda-feira (22), e para o resultado da primeira reunião do ano do Copom (Comitê de Política Econômica), que sai quarta-feira (24).
Não existe consenso em relação ao resultado do encontro. Rossano Oltramari foi o único dos analistas consultados que disse trabalhar com um corte de 50 pontos-base para a taxa Selic neste mês.
Mesmo visualizando espaço para uma redução de tal magnitude, Luiz Roberto Monteiro não descarta a possibilidade de o conservadorismo dos membros do colegiado do BC falar mais alto.
Em linha com esta percepção, a equipe da Concórdia aposta em corte de apenas 0,25 ponto percentual no juro básico brasileiro em janeiro.