Os passageiros que utilizam o Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, podem se preparar para enfrentar atrasos nos vôos durante este verão. Por orientação do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), todas as vezes em que o aeroporto for atingido por chuvas - sejam elas fortes ou moderadas -, os pousos e decolagem devem ser imediatamente suspensos para que técnicos da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) possam medir a quantidade de água nas pistas.
Se a lâmina dágua tiver menos de 3 milímetros - nível considerado seguro para evitar aquaplanagem -, as operações podem ser retomadas. Caso contrário, o aeroporto tem de permanecer fechado até que o volume de água na pista volte aos padrões aceitáveis. O problema, diz um militar envolvido no controle de tráfego aéreo de Congonhas, é que cada medição demora, em média, 30 minutos para ser feita, o que tem provocado atrasos e, em casos extremos, até desvios de vôos. O mesmo oficial da Aeronáutica recomenda aos passageiros que evitem partir ou chegar em Congonhas entre as 15 horas e as 19 horas, período de maior incidência de temporais nesta época do ano.
Embora a medida esteja em vigor no dia 29 de dezembro, só no domingo o Serviço Regional de Proteção ao Vôo de São Paulo (SRPV-SP), órgão ligado à Força Aérea Brasileira responsável pelo controle do tráfego aéreo na Região Sudeste, teve de fechar o aeroporto por mais de 30 minutos. Em virtude da chuva, as operações ficaram suspensas por 1 hora e 10 minutos. Pouco antes do fechamento, um avião da BRA foi obrigado a arremeter (abortar o pouso). O vôo 2635 da Varig, que vinha de Brasília, decolou da capital federal com duas horas de atraso devido ao mau tempo em São Paulo. Ao se aproximar de Congonhas, ainda teve de fazer órbitas (sobrevôos) por cerca de 30 minutos até que o nível de água na pista baixasse.
Construídas nos anos 30, as pistas de Congonhas perderam a rugosidade, essencial para estabelecer o atrito adequado entre os pneus das aeronaves e o asfalto. A decisão de interromper as operações para avaliar as condições do pavimento a cada chuva teve o apoio das companhias aéreas. Apesar de a medida afetar diretamente o funcionamento das malhas aéreas, as empresas consideravam arriscado operar no aeroporto em dias chuvosos. O temor aumentou em março do ano passado, depois que um avião da BRA derrapou e quase caiu na Avenida Washington Luís. Em outubro, um Boeing da Gol também teve problemas para frear e deslizou até o gramado que divide as pistas. "Para nós é terrível, mas, por enquanto, não há outra solução", diz o consultor do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea), Ronaldo Jenkins.
Amanhã, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) realiza a primeira audiência pública para discutir a reforma da pista auxiliar de Congonhas. Pelo cronograma original, a obra terá início em fevereiro. A recuperação da pista principal está prevista para começar em maio.