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Montadoras americanas tentam mostrar força no Salão de Detroit

08/01 - 13:10 - Agência Estado

Em meio à pior crise da história, com prejuízos recordes, fechamento de fábricas e demissões em massa, as fabricantes norte-americanas, conhecidas como as três grandes (General Motors, Ford e Chyrsler), tentam demonstrar ânimo no Salão Internacional da América do Norte, uma das mais importantes mostras de veículos do mundo, que começou ontem em Detroit, Estados Unidos. A saída encontrada pelas marcas americanas, que se vêem acuadas principalmente pela japonesa Toyota, que este ano deve derrubar a GM do topo de maior fabricante mundial, foi apresentar modelos com inovações tecnológicas ou movidos a combustíveis alternativos.

São delas a maioria dos 70 lançamentos previstos para o evento, que reúne todas as grandes montadoras. Da China, apenas uma empresa participa do salão, a Changfeng.

A Ford uniu-se à Microsoft e desenvolveu um sistema exclusivo de comando de voz chamado Sync, que permite fazer ligações ao telefone celular, ouvir mensagens de texto e selecionar músicas sem o uso das mãos. O sistema vai equipar o novo Focus, que começa a ser vendido este ano, e outros 11 modelos da marca.

A General Motors apresentou o carro conceito Volt, movido a eletricidade, bateria e a qualquer outro combustível (gasolina, álcool ou diesel). O modelo é uma inovação das versões híbridas que usavam uma grande bateria para gerar energia.

Com a novidade, ainda sem data para produção comercial, a montadora pretende enfrentar a Toyota, que domina o mercado de híbridos com o Prius. O presidente da GM, Richard Wagoner, disse que a empresa tem buscado soluções que se adaptam a cada mercado e citou o "grande sucesso dos carros flex desenvolvidos no Brasil". "É um exemplo a ser seguido." Mercado As vendas nos Estados Unidos, maior mercado mundial de automóveis, caíram 2,6% em 2006, para cerca de 16,6 milhões de unidades. Pelas contas dos analistas, devem baixar ainda mais este ano, para cerca de 16,3 milhões, o mais baixo volume em uma década, embora GM e Ford ainda apostem em números melhores.

A GM viu sua participação no mercado dos Estados Unidos cair para 24,5%, uma redução de 1,7 ponto em relação a 2005. Diante da possibilidade de perder o posto de maior fabricante mundial para a Toyota, Wagoner disse que a empresa vai lutar para que isso não ocorra. "Vamos brigar pelas vendas carro a carro." A Toyota, marca com situação mais confortável entre as empresas que participam do salão - que este ano completa 100 anos desde sua primeira edição -, procurou passar uma imagem de humildade. "A liderança não é nosso objetivo", desconversou Jimi Lentz, responsável pela marca japonesa nos EUA. A participação da marca nas vendas nos EUA ficou em 15,4% em 2006, um salto de 2,1 ponto porcentual ante 2005 e à frente da tradicional terceira colocada, a Chrysler, que ficou com 14,4%.

Bill Ford, em um curto discurso, reconheceu que 2006 foi um ano difícil para a montadora fundada por seu bisavô Henry Ford - que até setembro acumulava prejuízos de mais de US$ 7 bilhões -, mas manifestou otimismo em relação a 2007. "A Ford deve crescer, prosperar e fazer a diferença." Segundo ele, a companhia, que perdeu o segundo posto de maior fabricante mundial para a Toyota, pretende começar nova trajetória e "reinventar o automóvel". A parceria com a Microsoft é um exemplo.

A apresentação do novo Focus, ontem, contou com a participação de Bill Gates, que apareceu em um grande telão para falar da nova tecnologia.

A Ford perdeu 1,1 ponto porcentual de participação no mercado americano em 2006, ficando com 17,5% das vendas.

Planos de reestruturação ainda não acabaram nos EUA. A Chrysler deve anunciar em fevereiro mais um pacote de medidas para tentar estancar suas perdas. "Não decidimos ainda os detalhes", limitou-se a informar o presidente da companhia, Ton La Sorda, que não descartou fechamento de novas fábricas (A repórter viajou a convite da Anfavea).


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