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Cientistas propõem estratégia para baixar preço de remédios

03/01 - 13:32 - Agência Estado

Dois acadêmicos da Grã-Bretanha descobriram uma maneira de criar medicamentos e lançá-los no mercado a uma fração do custo imposto pelas grandes companhias farmacêuticas, permitindo que milhões de pessoas em países pobres sejam curadas de doenças infecciosas e potencialmente reduzindo de modo drástico o orçamento de drogas do serviço de saúde britânico. Sunil Shaunak, professor de doenças infecciosas do Colégio Imperial, baseado no Hospital Hammersmith, em Londres, chama o novo e revolucionário modelo de "farmacologia ética".

As melhorias que os acadêmicos prevêem para a estrutura molecular de uma droga existente e cara a transformam tecnicamente num novo medicamento que não fica mais sujeito a uma patente de 20 anos de uma companhia multinacional e pode ser fabricado e comercializado a baixo custo.

O processo pode minar o monopólio das grandes companhias farmacêuticas. Shaunak e seu colega Steve Brocchini, da Escola de Farmácia de Londres, associaram-se a uma companhia de biotecnologia indiana que fabricará o primeiro medicamento - para hepatite C - se os testes clínicos na Índia, patrocinados pelo governo do país, forem bem-sucedidos. A hepatite C afeta 170 milhões de pessoas no mundo.

O Colégio Imperial vai reter a patente a fim de evitar que alguém tente bloquear seu desenvolvimento. O trabalho conta com consultoria do Departamento de Comércio e Indústria e da Chancelaria da Grã-Bretanha.

Disparidade de custos Companhias farmacêuticas multinacionais prevêem um custo de US$ 800 milhões para a pesquisa e o desenvolvimento de uma nova droga. Shaunak e Brocchini estimam alguns milhões de dólares. Shaunak afirma que já é hora de derrubar o monopólio das corporações multinacionais - que cobram altos preços porque precisam gerar grandes lucros para seus acionistas - sobre a criação e a produção de medicamentos.

"Não sou só um inventor de medicamentos, sou um usuário final", diz Shaunak. "Somos totalmente dependentes da grande indústria farmacêutica para obter todos os remédios que usamos. Por que deveríamos ser assim, se fazemos toda a parte criativa nas universidades? Talvez seja hora de perguntar: Por que outra pessoa não poderia fazer isso? Assim que começamos, descobrimos que não é tão difícil." Evidentemente, o modelo de farmacologia ética não deverá ser muito bem visto pelas farmacêuticas, que empregam equipes de advogados especializados em propriedade intelectual. É de se esperar grandes batalhas legais se as novas drogas não forem genuinamente inovadoras.


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