Desconhecido de grande parte dos investidores, o Tesouro Direto é uma das aplicações mais indicadas por consultores de finanças. "A atratividade é a compra de títulos públicos federais diretamente do governo sem o pagamento das altas taxas cobradas por fundos de investimento", diz Marcos Crivelaro, professor com PhD em matemática e consultor em finanças.
A queda dos juros favorece a aplicação, que já atrai mais público. "Aumentou a base de clientes e a queda do valor médio da aplicação de R$ 8,2 mil para R$ 7,2 mil indica que isso ocorre com a chegada de clientes de menor renda", analisa Marc Helder Olichon, diretor de Operações do Banco Real. Está aplicado no Tesouro Direto o volume de R$ 1,06 bilhão. São 71.613 pessoas físicas cadastradas. Em novembro, 30,16% das vendas tinham valor de até R$ 1 mil e 71,5%, até R$ 5 mil.
Os títulos, negociados pelo site do Tesouro Direto, têm prazo longo e custos menores e são diversificados. Por isso, têm sido utilizados também para formação de poupança para a aposentadoria.
Na sexta-feira, os prazos chegavam a maio de 2045. Títulos com prazo de 1 a 5 anos são os mais vendidos. Os papéis têm rendimento assim definido:
Prefixado (Letra do Tesouro Nacional-LTN e Nota do Tesouro Nacional série F-NTN-F): indicadas para quem acredita em queda dos juros.
Pós-fixado (Letra Financeira do Tesouro-LFT): corrigida pela taxa Selic e indicada para quem acredita em alta do juro.
Indexado à inflação (Nota do Tesouro Nacional - NTN série B e Principal): atualizadas pelo IPCA e indicadas para quem quer garantir o poder de compra do dinheiro ).
Hoje, a procura maior é por LTNs (prefixadas), porque elas ainda pagam bom preço diante da expectativa de queda dos juros. No total aplicado, os prefixados correspondem a 40%, mas nas aplicações em novembro já respondiam por 54,55%.
Quanto aos custos, enquanto nos fundos eles chegam a 4% ao ano, no Tesouro Direto as duas taxas - de custódia (0,40% ao ano) e de agente de custódia (variável) - não ultrapassam 0,90% ao ano em boa parte das instituições. "Com os juros menores, o custo representado pelas taxas de administração passa a ser determinante na rentabilidade", alerta o investidor Eduardo Barros Carbonel.
Diferença
André Siqueira, da Fator Corretora, onde a taxa do agente de custódia é de 0,25%, calcula a diferença: na aplicação de R$ 10 mil por 5 anos a juro anual prefixado de 12,78%, o resgate será de R$ 15 mil, de fundo com taxa de 4% ao ano, e de R$ 18 mil, do Tesouro Direto, com taxa total de 0,65% ao ano - uma diferença de R$ 3 mil.
Crivelaro é ele mesmo um investidor em Tesouro Direto visando à aposentadoria. Ele diz, no entanto, que mantém depósitos em fundos de previdência privada (PGBL) até 12% da renda para usufruir da vantagem de deduzir as contribuições.
O pianista Júlio Machado, de Pelotas (RS), tem hoje 38 anos. Antes, investia em fundos de renda fixa. Segundo Celso Ricardo Souza Costa, assessor de investimento da Souza Barros Corretora, o perfil do cliente é mesmo o de investidor que vem de fundo de renda fixa onde a taxa de administração é alta. Hoje, no portfólio de Machado, 60% do volume investido em títulos públicos federais destina-se à aposentadoria. Ele prefere papéis indexados à inflação.
Carbonel, de 41 anos, de São Paulo, também programa parte da sua aposentadoria no Tesouro Direto. "Do total que destino à formação dessa poupança, 70% ficam aplicados em títulos públicos federais por meio do Tesouro Direto", diz. Sua receita: papéis de prazo mais longo, num mix de prefixados e corrigidos pelo IPCA. Os demais 30% ele destina a ações.
Machado utiliza o Tesouro Direto também para reservar dinheiro para despesas programadas. Isso é possível porque o Tesouro recompra títulos todas as quartas-feiras, mas traz risco. "Fora do vencimento, esses títulos são resgatados pelo preço do mercado secundário, e podem estar cotados por taxa desfavorável", diz Crivelaro.
Outro ponto desfavorável é a perda das taxas pagas. Rodrigo Ayub, do Banco do Brasil, explica que os títulos exigem pagamento antecipado das taxas por até um ano e não devolvem o valor no resgate feito antes do prazo.