O ministro da Defesa, Waldir Pires, convocou para as 15 horas de hoje, em seu gabinete, uma reunião com representantes de todos os setores envolvidos na crise aérea. Juntos, eles vão traçar um plano para evitar que o caos registrado nos aeroportos às vésperas do Natal volte a se repetir no réveillon.
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) iniciaram ontem uma auditoria na TAM - apontada como a responsável pelo apagão no Natal - e na Gol para investigar se houve prática de overbooking (venda de passagens em número superior à lotação dos aviões) na semana passada.
"A experiência do fim de semana foi muito triste, foi gravíssimo. Vamos mobilizar todos os esforços para impedir que o que houve não se repita", disse o ministro ao Estado. Pires acrescentou que "a expectativa é de que não seja necessário que os aviões da Força Aérea Brasileira sejam mobilizados novamente para atender passageiros com problemas de embarque". E completou: "É inconcebível que tenha ocorrido isso e espero que não se repita"
Segundo o ministro, na reunião de hoje será examinado detalhadamente com a Anac, o comando da Aeronáutica, a Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), as companhias aéreas e membros de setor de turismo tudo o que ocorreu para evitar, a tempo, que o problema se repita. A Casa Civil também participará da reunião.
"Vamos examinar tudo isso, a tempo para tomarmos as medidas e impedir uma surpresa destas. É uma política de prevenção para que isto que ocorreu, que foi gravíssimo, não se repita", declarou o ministro. O empréstimo de aviões da FAB para transportar passageiros da TAM, de acordo com Pires, "foi uma medida excepcional, para socorrer pessoas que compraram suas passagens e não estavam conseguindo embarcar, crianças, pessoas idosas, que estavam sendo desrespeitadas". Ainda de acordo com Pires, a auditoria que a Anac está fazendo, que avalia todos os problemas que levaram à crise do Natal, deve estar concluída até o fim da semana.
"O recado que pode ser dado à população é de que o governo ficou muito sentido, triste com o que aconteceu e fez o que podia para minimizar os problemas e o sofrimento das pessoas, com o presidente chegando a autorizar o uso de aviões da FAB", disse Pires. "O que queremos é que isso não se repita. Estamos trabalhando para isto."
O Estado apurou que o relatório que a Anac pretende divulgar nos próximos dias não ficará restrito ao suposto overbooking praticado pela TAM às vésperas do Natal. Embora esse seja o foco principal, a investigação iniciada ontem trará um diagnóstico completo dos motivos que levaram ao colapso operacional da companhia, apontando falhas nos sistemas da Infraero e até problemas meteorológicos em Congonhas.
Ontem, duas equipes visitaram as sedes da TAM e da Gol, em São Paulo. Cada uma delas é composta por quatro técnicos, todos profissionais vindos do extinto Departamento de Aviação Civil (DAC) e com experiência no setor. Além de vasculhar os computadores e registros das centrais de reserva das companhias, eles também entrevistaram diretores responsáveis pelas áreas diretamente envolvidas na crise. "Começamos pela TAM e Gol, pois elas respondem por mais de 80% do mercado doméstico. Mas, amanhã (hoje) mesmo, já haverá técnicos nas demais companhias", disse uma fonte da Anac.
Atrasos
Após uma manhã tranqüila, boletim divulgado no fim da tarde pela Anac mostra que voltou a aumentar o número de vôos atrasados. Da zero às 17 horas, 23,3% dos vôos sofreram atrasos acima de uma hora. Dos 1.206 vôos programados, 218 foram afetados e 37, cancelados. Os aeroportos paulistas lideraram o ranking de atrasos. O Internacional, em Cumbica, aparece no topo da lista, com 51 atrasos, seguido de Congonhas, com 31. O Aeroporto de Salvador registrou 18 atrasos e o de Fortaleza, 17. O Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Galeão, no Rio, teve 16 atrasos e o de Brasília, 11.
Com a volta da calma aos aeroportos, a FAB encerrou na madrugada de ontem a operação de apoio à TAM. O transporte de passageiros civis em aeronaves militares para socorrer uma companhia aérea privada, inédito no País, foi determinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sexta-feira. O esquema empregou nove aviões militares que transportaram, ao todo, 2.615 passageiros da TAM.
Entre o fim da tarde do dia 22, até a madrugada de 26, as aeronaves cumpriram 21 missões, somando 87 horas e 55 minutos de vôos e mobilizando pelo menos 120 militares. A última missão realizada pela FAB foi finalizada à 1h30 de ontem. As informações são de O Estado de S.Paulo.
* Colaborou Bruno Tavares