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Vale eleva em 9,5% o preço do minério para a Baosteel

22/12 - 12:14 - Agência Estado

Em uma negociação relâmpago, a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) conseguiu garantir um aumento de 9,5% no preço do minério de ferro exportado para a Baosteel, maior siderúrgica chinesa. O porcentual veio próximo do teto das previsões de mercado, que variavam de 5% a 10%, e vai garantir à mineradora brasileira um lucro recorde em 2007.

Desde 2005, o minério de ferro, principal produto vendido pela Vale, acumula aumento de 123,5%. A rapidez da negociação, iniciada neste mês, surpreendeu os analistas financeiros. "A Vale teve grande sucesso. Não esperava que o acordo fosse fechado antes do final do 1º trimestre de 2007", afirma Guilherme Marins, da Ativa Corretora. O executivo lembra que o reajuste que vigorou este ano só foi definido em maio, após meses de negociação.

"Os preços para 2007 refletem as condições do mercado global de minério de ferro e foram alcançadas com rapidez sem precedentes como resultado de negociações extremamente profissionais", explicou a mineradora, em comunicado distribuído ontem.

O mercado financeiro recebeu bem o reajuste. Os papéis da mineradora negociados na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) subiram forte logo após o anúncio, mas, terminaram em alta de apenas 0,15%, acompanhando o fraco desempenho do Ibovespa.

Analistas destacam que a companhia tem conseguido manter um patamar alto de preço do minério. Em 2005, o porcentual histórico de 71,5% abriu a escalada. Este ano, o primeiro acordo foi fechado em maio, mas somente em junho a Vale venceu a resistência das siderúrgicas chinesas ao aumento de 19%. Com o acordo anunciado ontem, a empresa entra no terceiro ciclo de grande alta, sobre um patamar já elevado.

Os preços mais altos em conjunto com um aumento forte de produção respondeu por boa parte dos resultados recordes contabilizados pela empresa nos últimos anos. A história em 2007 não será diferente. Além desses dois fatores, a companhia vai se beneficiar da entrada pesada em outros mercados como o de níquel, com a compra da canadense Inco, segunda maior produtora mundial do produto.

A negociação surpreendeu ainda por outro aspecto: o fato de o primeiro contrato ser fechado com uma siderúrgica chinesa. Tradicionalmente, os acertos de preços começavam no Japão, seguiam para e a Europa e, por fim, chegavam aos chineses. Isto porque, o primeiro percentual acertado se torna o preço de referência para todos os outros.

Refinanciamento A Vale emitiu comunicado ao mercado ontem no início da noite no qual afirma que já conseguiu refinanciar 84% do empréstimo-ponte que tomou para a compra Inco, mineradora canadense de níquel. A empresa tomou no mercado internacional US$ 14,6 bilhões para a aquisição da companhia canadense. Foi a maior aquisição de uma empresa brasileira no exterior. No total, a empresa pagou US$ 18 bilhões pelo negócio. Com as três operações, a Vale do Rio Doce já equalizou US$ 12,3 bilhões do total do empréstimo de curto prazo. O alongamento reduz o risco de a Vale perder a condição de "grau de investimento". As informações são do O Estado de São Paulo *Colaborou Agnaldo Brito


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