22/12 - 17:35 - Reuters
Por Roberto Samora S?O PAULO (Reuters) - Com os pre?os dos produtos agr?colas mais altos, o PIB do agroneg?cio dever? crescer em 2007, ap?s dois anos seguidos de queda, mas em um cen?rio de redu??o da ?rea plantada e estabilidade de produ??o, o aumento provavelmente n?o ser? suficiente para alterar o peso do setor no Produto Interno Bruto nacional.
'Para voltar a um patamar maior de participa??o no PIB nacional, ele (PIB do agroneg?cio) teria de crescer mais do que a economia brasileira', disse o superintendente t?cnico da Confedera??o da Agricultura e Pecu?ria do Brasil (CNA), Ricardo Cotta.
De acordo com avalia??o da CNA, o PIB do agroneg?cio, que considera as riquezas em toda a cadeia produtiva do setor, dever? fechar 2006 em 534,7 bilh?es de reais, com uma redu??o de quase 3 bilh?es de reais em rela??o a 2005.
Uma perda que s? n?o foi maior porque o estudo j? captou os pre?os melhores dos produtos agr?colas no segundo semestre deste ano.
Entretanto, Cotta e outros analistas observam que apenas cota??es mais altas dos gr?os n?o s?o suficientes para que o setor volte a ter um peso preponderante na economia brasileira, embora as perspectivas para as exporta??es de carnes tamb?m sejam boas.
A produ??o precisaria voltar a dar saltos significativos, com crescimento da ?rea plantada. Mas n?o ? o que acontecer? ainda em 2007, uma vez que os agricultores acumularam d?vidas bilion?rias com a queda dos pre?os em reais das commodities nos ?ltimos dois anos, em decorr?ncia do c?mbio desfavor?vel.
'O c?mbio valorizado descapitalizou os produtores em geral, sobretudo de gr?os. Com isso, a pr?xima safra de gr?os ter? tamanho med?ocre. Ou seja, haver? pre?o para os produtos, mas modesta expans?o da oferta interna', observou o analista F?bio Silveira, da RC Consultores.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima um crescimento de apenas 0,2 por cento na produ??o agr?cola brasileira, para 120 milh?es de toneladas, em meio a uma queda de ?rea plantada de 4,4 por cento --ou seja, s? deve crescer o volume produzido porque o tempo est? ajudando, diferentemente das safras anteriores.
Dessa forma, acrescentou Cotta, considerando que a economia brasileira cres?a 3,5 por cento em 2007, a participa??o do PIB do agroneg?cio no PIB nacional deve ficar est?vel em cerca de 26,5 por cento, na melhor das hip?teses. 'Teria de crescer em volume para ter um resultado consistente. Para sair de 26,5 por cento, o agroneg?cio teria de crescer 5 por cento', completou o t?cnico da CNA.
O agroneg?cio j? superou 30 por cento de participa??o no PIB brasileiro em 2003, ?poca em que a rentabilidade da atividade impulsionou o crescimento da produ??o e sustentou a economia brasileira.
RESSURREI??O PARA 2008
Em entrevista recente, o ex-ministro Marcus Vin?cius Pratini de Moraes, presidente da Associa??o Brasileira dos Exportadores de Carne Bovina (Abiec), observou que o PIB brasileiro 'n?o cresce, porque o agroneg?cio n?o est? crescendo, e quando o agroneg?cio n?o cresce, ? dif?cil a economia crescer'.
Entretanto, ele se mostrou mais otimista para 2007, considerando que o c?mbio se mantenha no atual patamar, num cen?rio de pre?os mais elevados: 'A renda ser? maior.'
O economista Luiz Roberto Mendon?a de Barros, da MB Agro, afirmou em um evento em S?o Paulo que o PIB do agroneg?cio deve subir no ano que vem, porque os produtos que tiveram bom desempenho nos ?ltimos anos, como cana e laranja, devem continuar apresentando resultados satisfat?rios.
'E aqueles que estavam atrapalhando o PIB (como os gr?os), claramente, por causa da bioenergia, v?o se dar bem', disse.
Previs?es da RC Consultores confirmam os maiores ganhos com os gr?os. A receita com os produtos agr?colas deve aumentar no ano que vem para 112 bilh?es de reais, ante 101 bilh?es em 2006, principalmente na esteira do crescimento de soja e milho.
Esse aumento, de acordo com a consultoria, est? fortemente ligado ? maior utiliza??o do milho nos Estados Unidos para a produ??o de etanol, que mexeu nos pre?os internacionais dos gr?os em geral.
'As possibilidades de ter ganhos s?o muito mais robustas, j? que os pre?os tendem a se sustentar em patamares elevados', disse Silveira.
'Em fun??o dessa melhora, a agricultura se beneficiar? como um todo, com efeitos ben?ficos nas vendas de insumos', comentou ele, prevendo que as vendas de tratores dever?o ter forte impulso em 2007 e que as entregas de fertilizantes aumentar?o em 7 por cento, ante uma estabilidade em 2006.
Esse cen?rio, ressaltou o consultor, poder? colaborar para o agricultor reduzir o seu endividamento e 'pode haver um potencial de aumento na agricultura brasileira n?o desprez?vel para 2008'.
'? o in?cio da ressurrei??o do setor agr?cola brasileiro', declarou ele, salientando que a maior demanda por milho nos EUA tem grande parcela de colabora??o nessa retomada.
CARNES AINDA ATR?S DA SOJA
N?o desprez?vel nesse cen?rio est?o as carnes, cuja receita com as vendas externas de bovinos, aves e su?nos devem ultrapassar 9 bilh?es de d?lares, aproximando-se do valor previsto para o complexo soja (10 bilh?es de d?lares), o l?der da pauta de exporta??o do agroneg?cio.
Segundo dirigentes de associa??es desses setores, muito provavelmente ainda n?o ser? dessa vez que as carnes passar?o a soja em receita com exporta??es, uma vez que os pre?os das oleaginosas e dos derivados tamb?m devem subir pela nova demanda da bioenergia.
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