'Airbus e Infraero escaparam', diz pai de vítima de acidente da TAM

Quatro anos depois da tragédia, famílias comemoram processo contra Anac e TAM, mas lamentam ausência de Airbus e Infraero

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

Apesar de toda a tristeza causada pela lembrança de parentes e amigos mortos, a missa celebrada na tarde deste sábado na catedral da Sé , em São Paulo, em memória das vítimas do acidente com o Airbus A320 da TAM foi a primeira, depois de quatro anos, em que a esperança substituiu a dor. Os parentes das 199 vítimas comemoraram o fato de a Justiça Federal ter aceito, ontem, a denúncia feita pelo Ministério Público Federal contra três supostos responsáveis pela tragédia.

Apesar do clima geral de satisfação pela aceitação da denúncia, os parentes das vítimas não deixaram de lamentar o fato de que a Justiça brasileira não aceita a imputação de responsabilidade criminal a pessoas jurídicas, o que impediu que a Airbus, fabricante do avião, e a Infraero, responsável pelo aeroporto de Congonhas, também fossem processados.

AE
Familiares prestam homenagem às vítimas do acidente com o avião da TAM em 2007

Para nós ficou claro desde o primeiro momento que os culpados eram Anac, TAM, Airbus e Infraero. Infelizmente Airbus e Infraero escaparam do processo”.

“Para nós ficou claro desde o primeiro momento que os culpados eram Anac ( Agência Nacional de Aviação Civil ), TAM, Airbus e Infraero. Infelizmente Airbus e Infraero ( Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária ) escaparam do processo”, disse Dario Scott, presidente da Associação de Familiares e Amigos das Vítimas do Vôo TAM JJ3054 (Afavitam) e pai de Thais, que morreu no vôo aos 14 anos.

Na sexta-feira o juiz substituto da 8ª Vara Criminal Federal de São Paulo, Marcio Assad Guardia, aceitou a denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal contra a ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Denise Abreu; o ex-vice-presidente de operações da TAM, Alberto Fajermann, e o ex-diretor de segurança de vôo da companhia, Marco Aurélio Miranda e Castro. Agora todos são réus em um processo por atentado contra a segurança do transporte aéreo (artigo 261 do Código Penal).

AE
“A denúncia foi muito bem aceita pelos familiares e por toda a sociedade. Ficou claro que houve responsabilidade de pessoas pelo que ocorreu. Agora o esperamos que seja feita justiça”, disse Dario Scott.

Segundo o advogado das famílias e ex-secretário estadual de Segurança Pública, Ronaldo Marzagão, se o MPF e a Justiça Federal não tivessem agido na semana passada os supostos responsáveis pela tragédia ficariam impunes. “Havia o risco teórico de prescrição já que no domingo o fato completa quatro anos. A construção jurídica da denúncia feita pelo MPF foi perfeita”, disse ele.

No domingo, os parentes das vítimas voltarão ao local do acidente para a cerimônia de assinatura de um termo de compromisso do prefeito Gilberto Kassab para a construção de um memorial em homenagem aos mortos e uma praça no local onde ficava o prédio da TAM que explodiu ao ser atingido pela aeronave.

    Leia tudo sobre: TAMacidente aéreotragédiaJustiça

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG