Nigéria usa cães e guindaste para buscas em área de queda de avião

Equipes de resgate recuperaram 48 corpos de acidente em área residencial de Lagos que deixou mais de 150 mortos

iG São Paulo |

Equipes de emergência na Nigéria usaram cães farejadores e guindantes para procurar corpos nesta segunda-feira onde um avião de fabricação americana caiu no domingo , deixando mais de 150 mortos . Funcionários de resgate temem que mais pessoas tenham sido mortos em terra.

Acidente: Avião se choca contra prédio na maior cidade da Nigéria

AP
Equipes de resgate retiram corpo de local de acidente aéreo em Lagos, Nigéria
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Nesta segunda-feira, segundo a agência EFE, o governo corrigiu o número de pessoas a bordo de 153 para 152, mas a Agência Nacional de Emergência afirmou que ainda não é possível precisar o número porque é comum que os voos do país não façam registros eletrônicos completos.

Os pilotos relataram problemas no motor antes de o avião, que vinha de Abuja (capital do país), cair perto Lagos, centro financeiro nigeriano, às 15h45 locais (11h45 de Brasília). Há dois anos, o mesmo Boeing MD-83 perdeu o motor por causa de um choque com um pássaro, de acordo com uma base de dados de aviação.

Em uma tarde de domingo de tempo bom, o jato da Dana Air colidiu com prédios de negócios e de apartamentos lotados na populosa zona de Iju, perto do Aeroporto Internacional de Murtala Muhammed, em Lagos, o pior desastre aéreo da Nigéria em duas décadas.

De acordo com um relatório da Cruz Vermelha da Nigéria, 48 corpos foram recuperados, e há expectativa de que mais sejam retirados dos destroços. Um autoridade afirmou, porém, que não é possível distinguir se eram passageiros ou pessoas que se encontravam no local da queda.

"O temor é de que, já que isso aconteceu em uma área residencial, haja mais mortos", disse Yushau Shuaib, porta-voz da Agência de Gerenciamento de Emergência Nacional da Nigéria.

No local do acidente nesta segunda-feira, a polícia usou cães para procurar corpos nos escombros. Durante a madrugada, funcionários trouxeram um grande guindaste de uma companhia de construção local para afastar os destroços. Também trouxeram maçaricos para para abrir caminho no que resta da aeronave. Alguns usaram máscaras para se proteger do cheiro de morte.

Moradores da área criticaram a demora dos serviços de emergência em chegar ao cenário do acidente, mas a agência de emergências do país disse que tiveram muitas dificuldades por causa do grande número de curiosos que se aproximaram do lugar. No entanto, a área estava totalmente isolada nesta segunda-feira e contava com a presença de numerosos agentes de segurança, uma medida que pretende facilitar o trabalho das equipes de resgate.

Algumas testemunhas declararam ao jornal local Punch terem ouvido vítimas pedindo auxílio nos prédios atingidos. "Fomos correndo ao lugar depois que o avião caiu, mas não sabíamos o que fazer, porque havia muita fumaça", contou uma testemunha ao jornal nigeriano.

Espera-se que o presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan, que no domingo anunciou três dias de luto nacional, visite o local do acidente nesta segunda-feira.

A causa do acidente ainda não está clara. Os pilotos entraram em contato por rádio com a torre de controle de Lagos um pouco antes do acidente, relatando problemas em um dos motores quando se encontrava a 22 km da pista e um minuto depois desapareceu do radar, disse uma autoridade militar. As equipes de resgate também procuram a caixa-preta da aeronave.

O diretor da Autoridade Nigeriana de Aviação Civil (NCAA, sua sigla em inglês), Harold Demuren, anunciou que se iniciaram as investigações para determinar a causa da tragédia. No entanto, a imprensa local indicou que o avião acidentado tinha tido no passado uma série de "erros preocupantes" desde o momento em que foi comprado pela companhia americana Alasca Airlines, em novembro de 1990, até ser vendido para a Dana Airlines, em fevereiro de 2009.

Segundo o jornal local Vanguard, em 3 de maio um funcionário da companhia nigeriana alertou que o aparelho devia permanecer em terra até que fosse submetido a uma revisão geral, mas a Dana não fez nada a respeito.

O acidente de domingo parece ser o pior desde setembro de 1992, quando um avião de transporte militar caiu em um pântano pouco antes de decolar de Lagos. Todos os 163 soldados do Exército, parentes e tripulantes a bordo morreram.

*Com AP e EFE

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