Segundo autoridades, aeronave russa colidiu com vulcão e é provável que todos os 45 a bordo tenham morrido

Equipes de resgate encontraram nesta quinta-feira os destroços do avião russo que desapareceu durante um voo de demonstração para empresários e jornalistas na Indonésia. A aeronave colidiu com um vulcão e autoridades acreditam que todas as 45 pessoas a bordo morreram.

Equipes de resgate disseram ter encontrado corpos na região do acidente. Como a área ao redor do vulcão Salak, cerca de 60 quilômetros ao sul de Jacarta, é remota e o terreno é íngreme, um helicóptero será usado para içar os corpos, de acordo com o porta-voz da agência de resgate indonésia, Gagah Prakoso. “Não encontramos nenhum sobrevivente, mas continuamos tentando”, acrescentou. Por causa do mau tempo, é provável que a retirada de corpos só possa ser feita na sexta-feira.

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Restos do avião russo que desapareceu na quarta-feira são vistos em vulcão na Indonésia
Reuters
Restos do avião russo que desapareceu na quarta-feira são vistos em vulcão na Indonésia

O avião, um Sukhoi Superjet-100, é o primeiro modelo novo de jato de passageiros fabricado na Rússia desde o fim da União Soviética, em 1991. O voo de demonstração fazia parte de uma tentativa da empresa fabricante, a Sukhoi, de conseguir clientes na Ásia. A Indonésia era a quarta parada de uma “turnê publicitária” que já tinha passado por Mianmar, Paquistão e Casaquistão. Os próximos destinos seriam Laos e Vietnã.

A bordo do avião estavam representantes de companhia aéreas locais e jornalistas que fariam um rápido voo de 50 minutos. Mas cerca de 20 minutos após a decolagem em Jacarta, a capital da Indonésia, o piloto russo pediu permissão para descer de 3 mil metros de altitude para 1,8 mil metros de altitude.

Ele não explicou o motivo do pedido e imediatamente depois o avião desapareceu dos radares. Reduzir a altitude tão perto do vulcão de 2,2 mil metros de altura era uma manobra arriscada, e não está claro se o piloto recebeu a permissão.

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Segundo Prakoso, o avião colidiu com o Salak a uma velocidade de 800 km/h. Após a colisão, a aeronave explodiu.

Nesta quinta-feira também o Comitê de Instrução da Rússia deu início a um processo penal pelo acidente. O processo foi aberto por suposta violação das normas de segurança de voo. "Os investigadores deverão verificar os preparativos da tripulação para o voo, assim como o estado da aeronave antes de deixar a Rússia", explicou o porta-voz do comitê Vladimir Markin

O porta-voz acrescentou que durante a investigação serão interrogados os técnicos que prepararam o avião para o voo, assim como representantes da fabricante da aeronave, a Sukhoi Civil Aircraft.

Parentes

Familiares dos passageiros entraram em desespero ao saber que os destroços haviam sido encontrados. Muitos deles passaram a noite em claro no aeroporto esperando por notícias.

O número exato de passageiros ainda é incerto. Inicialmente, autoridades disseram que o avião levava 46 a bordo. Depois, corrigiu para 50. Agora, acredita-se que sejam 45. Entre eles, apenas 10 não eram possíveis compradores e jornalistas. Tratavam-se de russos que representavam a Sukhoi, um consultor americano de uma companhia aérea local e um francês que representava a fabricante de motores Snecma.

O Superjet, que fez seu voo inaugural no ano passado, era visto pela Rússia como uma chance de voltar ao mercado de aviões de passageiros. “Todos sabemos que os russos têm um histórico terrível na aviação, então isso era importante para sua indústria”, afirmou Tom Ballantyne, um especialista em aviões de Sydney, Austrália.

Em aeroporto de Jacarta, parente de passageiro chora ao saber que restos do avião foram encontrados
AP
Em aeroporto de Jacarta, parente de passageiro chora ao saber que restos do avião foram encontrados

Com AP e EFE

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