Tomando notas no escurinho do cinema

Com projetor quebrado, classificadores assistem aos lançamentos em primeira mão nas salas de cinema da capital

Severino Motta, iG Brasília |

Fellipe Bryan Sampaio/iG
O classificador Diego Assumpção
O projetor do Ministério da Justiça está quebrado. Como a portaria que regulamenta a classificação indicativa obriga que os distribuidores forneçam os meios necessários para a avaliação das obras, somente nas salas comerciais de cinema é possível se chegar a uma idade mínima para os filmes que vão disputar o público brasileiro.

Entre os classificadores das obras cinematográficas está Diego Assumpção, de 28 anos. Acostumado a ver DVD’s em seu cubículo no terceiro andar do edifício anexo do Ministério da Justiça, ele se divide quanto à possibilidade de assistir, antes de todo mundo, aos lançamentos numa sala de cinema.

“Aqui nós podemos pausar, tomar notas, fazer a minutagem de maneira mais fácil. No cinema ficamos no escuro, com uma lanterninha na mão e um bloco de notas. Não conseguimos ter tantos detalhes, mas observamos bem e podemos fazer uma boa classificação”, explicou ele, completando que nem de longe a atividade se compara a uma ida recreativa ao cinema.

Formado em administração, Diego disse que assiste em média três filmes por dia. Há um consenso entre os classificadores de que 20% do material analisado tem um bom conteúdo. “Mas temos pessoas aqui ainda mais criteriosas”, disse.

Sobre as sinopses que faz, disse que filmes de terror são mais fáceis. Filmes franceses, por outro lado, mais complicados de entender. Apesar da história, o que lhe interessa são as pausas na programação e anotações sobre as cenas de violência, sexo e drogas – principais critérios para a classificação indicativa no Brasil.

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