Tela de Wilfredo Lam obtém US$ 1,4 mi em leilão

Obra do pintor cubano que mistura surrealismo e "santería" foi vendida na Sotheby's

Reuters |

Uma tela do cubano Wilfredo Lam que mistura surrealismo e "santería" foi a obra mais cara no leilão de arte latino-americana organizado pela casa Sotheby's na noite de quinta-feira.

"Sur les Traces (Transformação)" obteve 1,42 milhão de dólares, recorde também para o próprio Lam. O leilão como um todo somou 12,2 milhões de dólares, aquém da expectativa pré-vendas, de 13,8 milhões, e do resultado do leilão anterior de arte latino-americana da Sotheby's, em 2009, 14,6 milhões.

Carmen Melian, chefe de arte latino-americana da Sotheby's, minimizou o resultado financeiro e enfatizou a tendência em favor dos gêneros surrealista e abstrato.

Lam pintou "Sur les Traces" em Cuba, após voltar de Paris, onde integrara o núcleo surrealista de André Breton. "Esta obra combina elementos europeus do surrealismo e da santería", disse Melian, referindo-se a uma religião afro-cubana com forte sincretismo, a exemplo do candomblé e da umbanda no Brasil. A avó de Lam era mãe-de-santo, lembrou a especialista.

Caudas de cavalo, chifres e chamas evocam a santería num ambiente onírico, no qual pinceladas fluidas de preto traçam silhuetas de extremidades humanas, como olhos e dedos.

O segundo melhor resultado do leilão foi para "O Drama de Orwain" (1959), da surrealista mexicana Leonora Carrington, com 722,5 mil dólares, que retrata o sacrifício de um nobre galês lendário.

Um sem-título de 1951 do surrealista chileno Matta alcançou 692,5 mil dólares. Um colecionador particular dos EUA arrematou por 662,5 mil o "Retrato de Gladys March", do mexicano Diego Rivera, que ele fez para uma jornalista norte-americana que o ajudou a escrever sua autobiografia.

O leilão também incluiu anotações e o manuscrito feito por ela em seis meses de entrevistas com o pintor mexicano - centenas de páginas em quatro caixas, que Melian descreveu como o "paraíso de um acadêmico". Consta do lote também uma carta em que Rivera afirma que a jornalista era uma menina travessa que virou uma "jovem bonita".

Uma tela de Rivera, "Tejedora y los Niños" ("tecelã e as crianças"), avaliada em até 1,3 milhão de dólares, não encontrou comprador. A obra passou mais de meio século sumida, sendo conhecida apenas por uma granulada foto em preto e branco.

Leis culturais do México impedem que a obra deixe o país. "Isso afetou fortemente o preço, porque realmente estreitou o público" que poderia comprá-la, segundo Melian.

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