Teatro Dulcina reabre com Fernanda Montenegro

O monólogo “Viver sem tempos mortos” faz parte da programação de revitalização do espaço no Rio

Paula Costa, especial para o iG |

Fernanda Montenegro homenageia Dulcina de Moraes, com espetáculo que marca a reabertura do teatro que leva o nome da atriz, falecida em 1996. O espaço é conhecido por valorizar artistas, e formar atores. Inaugurado em 1955, a Fundação Brasileira de Teatro, era uma das grandes alegrias de Dulcina, que se dedicou integralmente ao projeto. “Esse teatro era a casa dela. Retomar esse espaço é muito importante. Essa revitalização é mais que especial. Tenho certeza que a Dulcina está muito feliz”, afirma Fernando Montenegro, que se emociona, ao lembrar da atriz. “Quero deixar viva a memória de Dulcina. Uma mulher brava, que lutou muito pela cultura. Estudou muito para trazer cenários fixos, iluminações modernas. O teatro deve muito a ela”, completa.

O teatro, que fica no Centro do Rio de Janeiro, terá programações especiais, para revitalizar não só o espaço físico, mas também para reavivar a cultura local. “Essa área da Cinelândia tem os melhores espaços de teatro. Temos o Theatro Municipal, o Teatro João Caetano, e o Teatro Dulcina. Um lugar de fermentos de uma vida cultural intensa”, ressalta Fernanda. “Eu acho que o Brasil talvez não saiba o que esse teatro significa. A minha vida inteira eu estive aqui. Não se perdia um espetáculo”, conta ao fazer um pedido para que os jovens freqüentem e desfrute do local. “O público mais novo deve vir não só como espectador, mas com grupos de visitas, aqui tem muita história. Dulcina foi uma mulher muito ligada a esse processo educacional. Sem dúvida, ela queria mais vitalidade ao teatro”, garante Fernanda.

No monólogo “Viver sem tempos mortos”, a atriz interpreta textos criados a partir das correspondências trocadas entre Simone de Beauvoir, escritora, pensadora e ensaísta francesa, e Jean Paul-Sartre, filósofo e artista militante. Desde a ruptura com as tradições familiares até sua ligação afetiva com Sartre. O texto funciona como um depoimento, na primeira pessoa, interpretado de forma excepcional, por Fernanda Montenegro. Verdades, dores e alegrias são expostas ao público, numa montagem minimalista, como ela mesma define. “Gosto muito da história de Simone de Beauvoir. Identifico-me com sua visão do feminino, com a paixão pela vida”, declara.

Com direção de Felipe Hirsch o espetáculo leva a reflexão sobre o cotidiano e as contradições humanas. “Fernanda se aproximou de Simone por meio da emoção”, revela o diretor. Texto denso, cenário limpo e iluminação sóbria. Tudo isso com a sensibilidade da grande Fernanda Montenegro. “Acho que de vez em quando a gente tem que fazer um monólogo para testar o talento. Acho que ainda estou bem, com um texto deste”, brinca. “Sempre sinto um friozão na barriga, com um monólogo. Mas é bom sair satisfeita”, finaliza.

A apresentação aconteceu nesta sexta-feira (19), no Teatro Dulcina, que fica na Cinelândia. Haverá mais duas exibições no sábado, e domingo, às 19h.

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