Reforma durou seis anos e foi marcada por atrasos e escândalos financeiros

Teatro Bolshoi, em Moscou
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Teatro Bolshoi, em Moscou
O Teatro Bolshoi da Rússia, uma das joias culturais do mundo, será reaberto na sexta-feira com um espetáculo de gala repleto de estrelas, depois de uma restauração que levou seis anos, custou US$ 700 milhões (R$ 1,2 bilhão) e foi marcada por atrasos e escândalos financeiros.

O teatro moscovita, que já sobreviveu a três incêndios e um bombardeio na Segunda Guerra Mundial, foi totalmente restaurado e apresenta toda a opulência da era czarista, com detalhes folheados a ouro, ao mesmo tempo em que aderiu à modernidade com o acréscimo de acústica de vanguarda.

O presidente russo, Dmitry Medvedev, e o primeiro-ministro, Vladimir Putin, estarão presentes no espetáculo de reabertura, descrito como uma noite de música e dança tipicamente russas, que terá transmissão ao vivo para Rússia, Europa e Estados Unidos.

Anatoly Iksanov, diretor geral do Bolshoi, disse em coletiva de imprensa que entre os convidados estrangeiros provavelmente estará a chanceler alemã, Angela Merkel.

Os detalhes sobre a noite estão sendo mantidos em segredo, mas dançarinas renomadas do Bolshoi vão participar, como Svetlana Zakharova e Maria Alexandrova, além de cantoras líricas convidadas como a francesa Natalie Dessay e a soprano lituana Violeta Urmana.

Fundado em 1776 pela imperatriz Catarina, a Grande, como teatro particular para "decorar a cidade e servir de espaço para bailes de máscaras, comédias e óperas cômicas", o teatro foi reconstruído em 1825 após um incêndio.

O Bolshoi antes e depois da reforma
Reuters
O Bolshoi antes e depois da reforma
Após anos de descuido e uso intenso na época soviética, o prédio grandioso próximo da Praça Vermelha e do Kremlin foi fechado para reparos em 2005. "Quando fechamos o teatro para reformas havia 70% de chances de o prédio desabar. Tínhamos chegado a um ponto crítico," disse Iksanov.

Ele avaliou o custo da reforma em cerca de US$ 700 milhões (R$ 1,2 bilhão), mas analistas de infraestrutura e construtoras estabeleceram que o valor real foi o dobro disso, causando constrangimento às autoridades culturais russas, que disseram que a corrupção endêmica no país chegou ao Bolshoi.

Em setembro de 2009 foi aberto um inquérito criminal para apurar os gastos altos e alegações de uso incorreto de verbas, mas Iksanov nega que o Bolshoi tenha cometido qualquer infração.

O Bolshoi tinha acústica excelente antes da era comunista, quando o folheado de ouro, que reflete o som, foi raspado e roubado, e o cilindro oco sob a orquestra, visto como pouco prático, foi preenchido com cimento.

"Isso empurrou o teatro para abaixo da 50ª posição mundial no ranking dos teatros de ópera. Agora devolvemos ao teatro sua acústica original do século 19", disse Mikhail Sidorov, porta-voz da Summa, a empresa que desde 2009 está encarregada da restauração.

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