"Supernatural" e "Gossip Girl" voltam em crise criativa

Audiência ainda é alta, mas séries pecam por repetir situações à exaustão

Pedro Beck, especial para o iG Cultura |

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Os dois protagonistas com Mitch Pileggi, no papel de avô dos irmãos, no episódio de estreia
A temporada 2003-2004 na TV norte-americana foi marcada por um hit da Fox que deixou todos os jovens colados em frente à TV: "The O.C.". Mostrando como era o dia a dia de jovens ricos do Orange County, a série conquistou milhões de telespectadores quase que instantaneamente.

Mas foi a ganância da Fox que também fez a série se tornar cansativa e "over" quase que com a mesma velocidade. Devido aos grandes índices de audiência e ao buzz gerado, a emissora foi encomendando mais e mais roteiros, que por sua vez viraram mais e mais episódios. Ao fim da temporada, 27 capítulos foram exibidos, e todas as situações possíveis na vida de adolescentes ricos de O.C., mostradas. O pensamento é claro: "se a audiência está correspondendo, por que parar?".

A série durou apenas quatro temporadas, e depois dos 27 episódios da primeira – geralmente, uma temporada na TV aberta tem no máximo 22 episódios –, a audiência jamais cresceu, apenas caiu.

"Supernatural" e "Gossip Girl" continuam hits após seis e quatro temporadas, respectivamente, mas parecem caminhar pelo mesmo caminho de "O.C.": a repetição de situações em exaustão.

A série dos irmãos winchester é, possivelmente, a produção com a maior mitologia no ar atualmente. Sam e Dean eram distantes, se tornaram amigos, Sam perde a namorada, os dois perdem o pai, os dois lutam contra demônios e outros tipos de criatura, os dois descobrem que existem anjos, os dois viajam ao passado, os dois morrem, os dois voltam, Dean vai para o Inferno, Dean cede seu corpo para Miguel, Sam cede seu corpo para Lucifer etc. Tudo que poderia acontecer, aconteceu.

A quinta temporada deveria ter sido a derradeira. O clímax da volta de Lucifer, o embate com Miguel, e todo o crescimento da mitologia – deixando os demônios de lado e se tornando uma série apocalíptica – davam o tom perfeito para a série se retirar em alta, como Eric Kripke, seu criador, já havia manifestado desejo.

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"Gossip Girl": mais do mesmo
Porém, para uma emissora pequena como a CW, onde "Supernatural" é exibida, mais vale renovar uma série do que criar uma nova produção. Há de se pensar que quando uma série é cancelada e outra criada, cenários inteiros são destruídos, novos são montados, equipes são demitidas, novos contratos com novos profissionais são redigidos, campanhas de publicidade são criadas, entre diversos outros fatores. Se a série é um hit, aí é que não faz sentido nenhum para emissora retirar do ar.

Resumindo: "Supernatural", que já explorou todas as situações possíveis, continua no ar, atingindo uma média boa de telespectadores – cerca de dois milhões por episódio. Como consequência, a série que era interessantíssima, começa a perder seu charme. Na premiere da nova temporada, os Winchester parecem perdidos, nada muito interessante acontece e a julgar pelo primeiro episódio – onde há muita conversa e quase nenhuma ação – você simplesmente não faz ideia do que a série está fazendo ali. O bonde passou para "Supernatural", mas só os executivos da CW não perceberam.

Fórmula repetida

O mesmo vale para "Gossip Girl", outro hit do canal. Chuck já ficou com Blair, que já ficou com Nate, que já ficou com Serena, que já ficou com Dan, que já ficou com Vanessa, que já ficou com Nate e por aí vai. Pra piorar a coisa, a nova temporada traz Georgina Sparks de volta, alegando carregar o filho de Dan na barriga. Não é preciso ver o segundo episódio para saber que isso é apenas mais um plano mirabolante da vilã, mas lógico que ninguém pensa nisso na série.

Não bastasse, a série, ano após ano, repete a mesma fórmula de todos os seus retornos: Blair e Serena viajando. Blair e Serena brigando. Blair e Serena fazendo as pazes. Isso sem falar na volta dos mortos vivos: a mãe de Dan e Jenny já voltou, o pai de Blair já voltou, o pai de Serena já voltou, a mãe de Chuck já voltou. Não se espante, se ao decorrer da próxima temporada, descobrirmos que a morte acidental de Bart nada mais foi além de mais uma artimanha pra pendurar na conta dos Bass.

"The O.C." faz escola recente nas séries teens norte-americanas. A impressão pode ser de que quem ganha são os telespectadores, com mais e mais episódios de suas séries favoritas. Ledo engano. Coração de fã de lado, não existe nada mais bacana no mundo das séries de TV do que uma série que sabe usar sua vida útil para construir um começo, um meio e um fim.

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