Sicília abre 1º museu da máfia

Ilha italiana se antecipa a Las Vegas e lança espaço dedicado a história dos cirminosos

EFE |

O lugar que deu origem a mais popular e filmada das máfias do mundo, a ilha italiana da Sicília, inaugurou hoje o primeiro museu dedicado a este fenômeno criminoso, adiantando-se a cidade americana de Las Vegas que anunciou uma casa do mesmo estilo para o próximo ano.

A localidade de Salemi, no noroeste da ilha mediterrânea, abriga o que, segundo seus organizadores, é um espaço "sensorial" que pretende contribuir à luta contra esse crime organizado. Várias salas com projeções e documentos relacionados com Cosa Nostra, o fenômeno mafioso por excelência que surgiu em meados de século XIX e que a Sicília exportou para o mundo, sobretudo para os Estados Unidos, forma o percurso do "Museu da Máfia - Leonardo Sciascia".

"O objetivo é o de fazer uma contribuição à luta contra a máfia, mas não de um modo retórico, mas tentando mostrar como funcionava a máfia. Além disso, queremos recriar os ambientes nos quais atuavam", afirma em entrevista com a Agência Efe o diretor artístico do museu, Nicolas Ballario. A ideia de criar este museu chegou antes que a do "The Mob Museum" de Las Vegas, que será aberto em 2011, conta com a colaboração do FBI (polícia federal americana) e tem um orçamento de US$ 42 milhões, frente aos 60 mil euros do centro siciliano.

"Nossa ideia chegou antes. Las Vegas está disposta a fazê-lo e o fará dentro do prazo previsto. Mas o deles será uma obra 'americanada', com um conceito mais vago", critica Ballario. "O verdadeiro museu da máfia tem de estar em Sicília, onde nasceu a máfia. E tem que ser feito como o fizemos: sensorial, não um teatro como será feito em Las Vegas", acrescenta.

Uma vez defendida a "originalidade" de seu museu, Ballario rejeita qualquer tipo de conotação negativa que o fato de erigir um museu à máfia possa levar a pensar: sua intenção é a de destacar a violência e a crueldade dos mafiosos e suas ações.

"É óbvio que nós estamos contra a máfia, é algo evidente. Não é que sejamos um museu 'a favor de'. Quem visitar o nosso museu o verá, porque nós queremos mostrar o quanto a máfia foi violenta, quanto asco desperta e buscamos dar uma aproximação sociológica a tudo isto", aponta. E tudo, apesar de que, assegura Ballario, na atualidade se concebe a Cosa Nostra como um fenômeno "em decadência", frente a organizações criminosas mafiosas mais ativas como a Camorra, de Nápoles, e a Ndrangheta, da Calábria, ambas no sul peninsular da Itália.

"Agora seguem existindo os mafiosos na Sicília, mas já não existe essa estrutura. Seguem atuando, seguem introduzindo-se entre os empresários, mas já não têm essa organização delitiva que tiveram no passado", afirma o diretor artístico do museu. À revelia de objetos originais provenientes de apreensões policiais, o "Museu da Máfia - Leonardo Sciascia" (nome que recebe em homenagem ao célebre escritor siciliano) oferece ao visitante um percurso sensorial por várias salas nas quais as projeções são autênticas e, com elas, os 150 anos de vida deste fenômeno criminosos.

O ouvido, o olfato e a visão são chaves, como detalha Ballario, para entender o que este espaço mostra, entre outras coisas, dez cabines do tipo eleitoral nas quais serão abordados diferentes aspectos do fenômeno de Cosa Nostra, como a relação com a Igreja Católica durante o passado século XX. Uma sala com a recriação de um cadáver "cimentado", método praticado por Cosa Nostra para apagar vestígios de seus inimigos; capas de jornais nas quais relatam seus massacres, e documentos sobre casos de mafiosos arrependidos que colaboraram com a Polícia completam a oferta do museu.

Tudo dentro de uma iniciativa que coincide com os primeiros atos da realização dos 150 anos da unificação territorial da Itália, que é comemorada em 2011, praticamente ao mesmo tempo em que esteve presente a máfia na história da Sicília e do país.

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