Vida do escritor foi marcada por declarações contundentes e uma lista longa de desafetos

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Saramago era conhecido por seu lendário pessimismo
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Saramago era conhecido por seu lendário pessimismo
O escritor português José Saramago, que morreu nesta sexta-feira aos 87 anos, era conhecido tanto por seu talento literário como por suas visões polêmicas. Saramago era um comunista ferrenho e seus desafetos incluíam a Igreja Católica, o governo israelense e o ex-presidente americano George W. Bush. "Eu sou um comunista hormonal, meu corpo contém hormônios que fazem crescer minha barba e outros que me tornam um comunista. Mudar, para quê? Eu ficaria envergonhado, eu não quero me tornar outra pessoa", disse Saramago ao repórter da BBC Alfonso Daniels, em uma entrevista em junho de 2009.

Recentemente, Saramago fez duras críticas ao primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, a quem se referia como "vômito". "Na terra da máfia e da Camorra, o quanto é importante o fato provado de que o primeiro-ministro é um delinquente?", perguntou em "O Caderno de Saramago", o blog que escrevia no site da Fundação Saramago.

Desafetos

Em 2002, o escritor comparou a situação nos territórios palestinos com o campo de concentração nazista de Auschwitz. "Nós precisamos tocar todos os sinos do mundo para falar que o que está ocorrendo na Palestina é um crime, e está em nosso poder parar isso", disse ele, quando uma delegação de membros do Parlamento Internacional de Escritores se encontrou com o líder palestino Yasser Arafat em Ramallah. "Nós podemos comparar (a situação palestina) com o que aconteceu em Auschwitz", disse.

Saramago também teve desentendimentos com o governo de seu próprio país. Em 1992, ele se mudou em exílio simbólico para as Ilhas Canárias, depois que o governo português bloqueou a nomeação de seu livro O Evangelho segundo Jesus Cristo para um prêmio literário europeu por ser supostamente herético. "O ser humano inventou Deus e depois escravizou-se a ele", disse o escritor certa vez.

Fim de Portugal

Mais recentemente, em 2007, Saramago causou polêmica ao sugerir que Portugal um dia se tornaria parte da Espanha. "Eu acho que nós acabaremos integrando", disse ele ao jornal Diário de Notícias, de Lisboa. Saramago afirmou acreditar que Portugal se tornaria uma província ou região autônoma do país vizinho. Segundo o escritor, a Espanha provavelmente mudaria de nome e se chamaria Ibéria, mas os portugueses não virariam espanhóis. As declarações foram amplamente criticadas por outros escritores e pela imprensa portuguesa.

Em outra entrevista, esta ao jornal português Público, o escritor disse também que "como portugueses estamos cansados de viver". "Se calhar, a nossa missão histórica acabou", afirmou na entrevista.

Pessimismo

Saramago também era conhecido ainda por seu lendário pessimismo. "Eu sempre fui uma criança séria, melancólica", disse à BBC. "Eu sempre tendi a ver o lado negro das coisas, eu acho que as pessoas nascem com isso", afirmou, ao ser perguntado se a criação rural poderia ser responsável pelo pessimismo que, segundo ele, estava cada vez maior. Em abril de 2009, várias das opiniões polêmicas de Saramago foram incluídas no livro O Carderno , uma coletânea de textos publicados por ele em seu blog.

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