Rio terá museu voltado para ciência e tecnologia

Museu do Amanhã, projeto de arquiteto espanhol, é parte do plano de revitalização da zona portuária

Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro |

Museu, geralmente, tende a se voltar ao passado. Não é o caso do que se pretende fazer com o “Museu do Amanhã”. O projeto, apresentado na tarde desta segunda-feira (21), no Rio de Janeiro, quer dialogar com o futuro. O arquiteto espanhol Santiago Calatrava, responsável pela obra, detalhou o que se pretende fazer no píer Mauá, na zona portuária da cidade. “Queremos dar um novo sentido a esta parte que deu origem à cidade, encorpando a beleza natural dos morros. A partir da revitalização de toda esta área, queremos fazer um museu auto-suficiente e com materiais recicláveis”, disse ele.

Calatrava assina importantes construções em diferentes cidades do mundo. Entre elas, estão o centro olímpico de Athenas, Grécia; a Ópera de Valência e a Cidade das Artes, na Espanha; e a ponte de Jerusalém. A inspiração para a obra carioca, segundo ele, veio das visitas ao Jardim Botânico.

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Previsão de como deve ficar a área do píer, com o Museu do Amanhã

Orçado em R$ 130 milhões, iniciativa de parceria entre a prefeitura do Rio e a Fundação Roberto Marinho, o museu terá uma área de 12,5 mil metros quadrados e deve ficar pronto no primeiro semestre de 2012. O prefeito Eduardo Paes aproveitou a ocasião para lembrar, indiretamente, da Cidade da Música, na Barra da Tijuca, que já custou R$ 700 milhões (seis vezes o orçado) e ainda não está pronta. “Eu falei para Santiago do uso de áreas para construções que não deram certo, que não foram amplamente discutidas com a sociedade e que tiveram um alto custo para a cidade. Não é o caso do Museu do Amanhã. Este é um projeto futurista, mas que dialoga com a história do Rio”, defendeu.

A curadoria ficará a cargo do físico Luiz Alberto Oliveira e de Leonel Kaz, curador do Museu do Futebol, em São Paulo. “Vamos dividir o espaço em quatro áreas. Uma para discutir as mudanças climáticas, outra para a integração dos povos, a diversidade das sociedades e o aumento populacional e seus impactos”, explicou Oliveira. “É importante dizer que estamos num momento de reorganização do espaço urbano. Será um museu experimentalista”, continuou Kaz.

Obra auto-suficiente

O Museu terá dois andares, café, loja e área de conveniências, além de auditório e salão de exposições. A área externa será arborizada e receberá um lago artificial com água filtrada da Baía da Guanabara. Janelas imensas serão alteradas de acordo com a luminosidade do dia para se aproveitar ao máximo a energia solar.

“A importância da água precisa ser perceptível para todos, além do próprio sentido do prédio. Não é apenas a visita ao prédio que se está pensando, mas à sua visão plástica externa também, o entorno do edifício”, disse Calatrava.

Presidente da Fundação Roberto Marinho, parceiro do projeto, José Roberto Marinho afirmou que este será mais um museu voltado para o aprendizado, como já é o caso de outros prédios apoiados pela Fundação. “Entramos nesta iniciativa de museus dessa linha de aprendizagem com o da Língua Portuguesa, em São Paulo. Queremos repetir o sucesso no Rio”, disse.

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O museu pretende modificar o centro do Rio

Fim da Perimetral

A obra já esbarra numa polêmica: a já tão comentada derrubada do viaduto da Perimetral, principal acesso do centro da cidade à Avenida Brasil e à ponte Rio-Niterói. Em sua exposição, o arquiteto Santiago Calatrava falou da importância de se retirar o viaduto do cenário urbano. “É importante sua retirada para se recriar o potencial da praça Mauá, dar visão ao mosteiro de São bento, entre outros prédios importantes da região”, disse ele. O prefeito Paes, mais tarde, disse à imprensa que a remoção da via não está garantida. “Falar em derrubar a Perimetral é mole, quero ver construir o túnel subterrâneo, que está orçado em R$ 1,5 milhão. Estes recursos ainda não estão viabilizados. Não vim aqui para prometer a derrubada da Perimetral, mas espero que esteja em breve longe de nossas vistas”, disse.

Secretário municipal de desenvolvimento e presidente da Fundação Pereira Passos, Felipe Gois acredita que seja sim possível realizar a obra, ainda que ela não esteja prevista para esta gestão. “Devemos começar isso em 2013, e deve durar um ano. Está nos planos da prefeitura esta intervenção, para impulsionar a beleza deste canto da cidade”.

Sobre o impacto que o fim da perimetral deve ter no trânsito já complicado do acesso ao centro da cidade, Gois disse que a prefeitura estuda planos para minimizá-los. “A ideia é que se faça uma via paralela ao porto, enquanto perfuramos o solo. A intenção é fazermos tudo com impacto ínfimo para a população”, disse o secretário.

Região degradada

A área portuária do Rio tem cerca de 5 milhões de metros quadrados e apenas 20 mil moradores fixos, segundo estimativas da prefeitura. Eduardo Paes pretende investir R$ 150 milhões até o final do ano, para garantir infra-estrutura na região e, dessa forma, criar boas condições de moradia no centro.

Além do Museu do Amanhã, estão previstas as construções de outras duas grandes obras na área. Uma é o Museu de Arte do Rio (MAR), já iniciada, também por iniciativa da prefeitura, e a outra é a de um oceanário, de iniciativa privada.

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