Presidente de Portugal lamenta morte de Saramago

Aníbal Cavaco Silva afirma que escritor era referência cultural do país e presta homenagem à memória do intelectual

BBC Brasil |

selo

Getty Images
"Com seu desaparecimento, Portugal fica mais pobre", diz líder do Partido Social Democrata do país
O presidente de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, disse nesta sexta-feira que o escritor José Saramago era uma "referência da cultura portuguesa" e que sua "vasta obra literária deve ser lida e conhecida pelas gerações futuras". Cavaco Silva divulgou uma nota apenas duas horas após o anúncio da morte do autor português."Em nome dos portugueses e em meu nome pessoal, presto homenagem à memória de José Saramago", disse ele.

O primeiro-ministro português, José Sócrates, afirmou que o escritor foi "um dos grandes vultos" da cultura portuguesa, acrescentando que o país se "orgulha" de sua obra literária. "Recebi a notícia da morte de José Saramago com muito pesar. Entendo que é uma perda para a cultura portuguesa e o meu dever, neste momento, é endereçar palavras de coragem e condolências", disse Sócrates e jornalistas.

"Mais pobre"

O líder do Partido Social Democrata, que ocupava o governo de Portugal quando o livro O Evangelho Segundo Jesus Cristo foi censurado, divulgou uma declaração sobre a morte. "Foi com profunda consternação e pesar que recebi a notícia da morte do escritor José Saramago, um dos vultos mais destacados da cultura portuguesa contemporânea. (Prêmio) Nobel de Literatura em 1998, José Saramago deixa uma obra literária atemporal", disse Pedro Passos Coelho. "Com seu desaparecimento, Portugal fica mais pobre", acrescentou.

Em 1993, Saramago decidiu viver em Lanzarote, nas Ilhas Canárias (Espanha) por ter seu livro O Evangelho Segundo Jesus Cristo vetado para o Prêmio Europeu de Literatura pelo governo do Partido Social Democrata. O escritor morreu em sua casa em Lanzarote, ainda em seu exílio voluntário.

Escritores

A escritora portuguesa Lídia Jorge, autora de livros como O Dia dos Prodígios e Vale da Paixão , afirmou que Saramago era um escritor genial. "Foi um exemplo de coragem, pela sua coerência", disse. Para a escritora, seus livros favoritos do escritor são Memorial do Convento e O Ano da Morte de Ricardo Reis . "Apesar de tudo, acho que ele morreu feliz, porque escreveu até o fim da vida, entregando-se sempre com a mesma coragem ao ofício que escreveu e acreditando piamente em suas convicções", afirmou.

"Virada"

Para o escritor português Mário de Carvalho, Portugal perdeu o maior escritor do século 20. "O livro Levantado do Chão foi uma obra que fez uma virada na literatura portuguesa", disse o escritor, que também considera Memorial do Convento como o romance mais marcante de Saramago. "(Saramago) Era um homem reto, sereno e lúcido. Era muito atento aos escritores mais jovens, um homem sem prosápia ou vaidade de um grande senhor", afirmou Carvalho. O escritor lembrou que nem mesmo o Prêmio Nobel fez com que Saramago mudasse. "O sucesso nunca lhe subiu à cabeça, portou-se com a mesma modéstia e elevação de sempre", afirmou.

    Leia tudo sobre: José Saramago

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG