Prefeitura apreende 28 toneladas de bebidas na Virada Cultural

Maior alvo foi "vinho químico"; organização minimiza venda ilegal e estuda possibilidade da cerveja voltar a ser comercializada

iG São Paulo |

Em coletiva de imprensa realizada no início da tarde deste domingo (17), a organização da Virada Cultural, em São Paulo, anunciou que foram retidas 28 toneladas de bebidas alcoólicas no Centro da cidade, entre as 18h e 11h, resultado de 2,5 mil apreensões de ambulantes e distribuidoras. Ao contrário do que apurou a reportagem do iG durante a madrugada , o secretário municipal de Subprefeituras, Ronaldo Camargo, disse que o comércio irregular de bebidas foi baixo e a maioria dos bares pararam de vender álcool após a 1h.

Do total apreendido, cerca de 80% é de "vinho químico", bebida ilegal apresentada por Camargo como tendo 98º de teor alcoólico, com pigmento e doçura similar à groselha. Esse vinho seria responsável, de acordo com a prefeitura, por grande parte dos conflitos em eventos abertos ao público. "Ele deixa as pessoas agressivas, altamente perigosas", declarou o subprefeito da Sé, coronel Nevoral Buqueroni. Dois locais de distribuição e 12 estabelecimentos que forneciam a bebida foram autuados e lacrados.

Apesar da maioria das apreensões terem sido do vinho, Ronaldo Camargo alega que não houve vista grossa da fiscalização em relação a outras bebidas, como a cerveja, facilmente encontrada. "Nunca se tem controle do que o ambulante está vendendo e nosso objetivo é controlar a ilegalidade", afirmou. Apesar disso, pouco depois de deixar o local da coletiva, na Galeria Olido, a reportagem do iG já se deparou com ambulantes vendendo cerveja e outras bebidas a uma quadra de distância.

Além de coibir o comércio irregular, a prefeitura também havia vetado a venda de derivados de álcool nos quiosques de alimentação autorizados. O secretário de subprefeituras não descartou, no entanto, uma mudança nas próximas edições da Virada, por conta da "demanda". "Vamos estudar, em conjunto com as outras secretarias, no sentido de liberar a cerveja."

Conforme a subprefeitura da Sé, o número de ocorrências policiais até o fim da manhã de domingo foi pouco expressivo e o total será declarado em um balanço final. Os dois casos mais graves teriam sido uma briga de skinheads na Praça Júlio Prestes, envolvendo facas, e a queda de uma pessoa do Viaduto Santa Efigênia, encarada até o momento como suicídio e que será investigada pela Polícia Civil.

Público maior

O coordenador e programador da Virada Cultural, José Mauro Gnaspini, apontou que o público este ano foi superior ao ano passado, de 4 milhões de pessoas, a partir da observação do movimento pelas ruas e em locais de grande concentração, como a Praça Júlio Prestes e o Vale do Anhangabaú. Gnaspini não arriscou, no entanto, nenhuma projeção, tarefa que deve ser feita pela Polícia Militar no final da tarde.

Respondendo às críticas de que as pessoas, inclusive turistas, estavam desorientadas no Centro e os profissionais da prefeitura, despreparados para dar informações, o secretário municipal de Cultura, Carlos Augusto Calil, disse que esse "estranhamento" tem a ver com o abandono do Centro e que um dos objetivos da Virada é "redescobrir a região". Foram impressos 400 mil mapas com a programação, total, Calil reconheceu, inferior ao número de pessoas que frequenta o evento. Caio Carvalho, presidente da SPTuris, declarou que o problema "é muito fácil" de ser resolvido e deve ser contornado nos próximos anos.

O secretário de Serviços, Dráuzio Barreto, comemorou a adesão maciça da população para a campanha de manter as ruas limpas. Foram instaladas 4 mil lixeiras e destacados 3,3 mil garis, o triplo do ano passado. Até as 11h da manhã, haviam sido recolhidas 140 toneladas de lixo, 10 delas de material reciclável, graças à parceria com duas cooperativas de coleta seletiva.

Veja na galeria abaixo alguns dos destaques da Virada Cultural:



    Leia tudo sobre: virada cultural 2011

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG