Poder de escolha derrubou audiência da Globo

¿Por muito tempo houve apenas uma opção na TV. Agora não¿, diz especialista

Marco Tomazzoni, iG São Paulo |

É mérito da Record ter dobrado de audiência neste novo século, mas na opinião de Eugênio Bucci, professor de jornalismo na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), o crescimento está vinculado a um valor essencial à sociedade: opção. “Por muito tempo houve apenas uma alternativa com maior estrutura tecnológica e condições de produção, recursos. O Brasil tinha um nome só. A Record, independente da qualidade estética, soube se apresentar como uma segunda rede de grande porte”, afirma.

Arte/iG
Segundo o professor, o êxito da emissora é menos uma questão de qualidade e mais de massa e volume, de agressividade no mercado. “A qualidade da programação interfere? Evidente que sim, mas interfere como um segundo fator”, explica. “É uma grande rede, com grande capacidade de produção, que tem muito dinheiro. Isso é o que faz ela crescer.”

Para Bucci, a relação com a Igreja Universal do Reino de Deus está mais relacionada a esse fator – estrutura interna, com aporte de recursos – do que propriamente com o público, tanto que a programação própria não tem apelo religioso, pelo contrário: a estética de Record é nitidamente inspirada na fórmula consagrada da concorrente, nas novelas, nos telejornais, na grade horizontal. “É uma rede comercial espelhada na Globo, uma espécie de Globo B”, sentencia.

    Leia tudo sobre: audiênciarecordglobotv aberta

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG