Prisão de artista é a maior repercussão negativa desde que o regime chinês forçou sua repressão política em fevereiro

O artista chinês Ai Weiwei
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O artista chinês Ai Weiwei
O Governo chinês afirmou nesta terça-feira (26) que não teme sua má imagem no exterior três semanas após a detenção do artista dissidente Ai Weiwei, que ocorreu sem a mediação formal, como exige a lei do país. Segundo Pequim, Weiwei está em investigação por supostos crimes financeiros. "Não tememos esses comentários", respondeu o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores chinês, Hong Lei, ao ser questionado em entrevista coletiva após protestos registrados em frente às embaixadas chinesas em vários países pela libertação do desenhista de 53 anos.

Na semana passada, a galeria Neugerriemschneider, de Berlim, anunciou que fará, a partir de 29 de abril, uma exposição com obras de Ai, em protesto pela sua detenção em 3 de abril em Pequim, quando pretendia pegar um voo para Hong Kong. Tanto na ex-colônia britânica quanto em capitais de todo o mundo os defensores do artista chinês mais famoso no exterior colocaram cadeiras vazias em frente às embaixadas chinesas em Berlim, Nova York, Estocolmo, Londres, Paris, Viena, Moscou e Madri, reprodução de uma obra do criador, para pedir sua libertação.

A detenção de Ai foi a maior repercussão negativa desde que o regime chinês forçou, em fevereiro, sua repressão política, para evitar que as revoluções árabes tivessem repercusão no país. O movimento ocasionou a detenção de dezenas de ativistas, advogados de direitos humanos, artistas e intelectuais no país asiático.

Por este motivo, a primeira-ministra australiana, Julia Gillard, em visita a Pequim, questionou nesta terça seu colega chinês, Wen Jiabao, sobre o retrocesso da segunda potência econômica em matéria de direitos humanos, algo que o "premier" chinês, supostamente defensor da liberdade de expressão, negou com veemência.

"Não permitiremos que nenhum país interfira nos assuntos internos da China sob o pretexto dos direitos humanos", prosseguiu o porta-voz Hong em entrevista coletiva ao referir-se ao diálogo sobre essa matéria com funcionários dos EUA em Pequim na quarta-feira e na quinta-feira desta semana. Os familiares do artista contaram que sua detenção foi política, e não por motivos econômicos, já que sua oposição ao regime de Pequim é aberta e conhecida por todos.

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