`Peixonauta¿: sucesso na TV, série infantil ganha caprichada montagem teatral

iG acompanhou com exclusividade o ensaio geral da peça idealizada por Angélica e Luciano Huck

Carmen Moreira, iG Rio de Janeiro |

Um peixe que além de nadar, voa. E também desvenda mistérios, dá dicas de sustentabilidade e conversa com a menina Marina, o macaco Zico, uma girafa, um casal de castores e outros tantos bichos. À primeira vista pode parecer confuso para qualquer adulto, mas para o universo infantil tudo é sempre possível. Prova disso é o sucesso estrondoso que “Peixonauta” – primeira série de animação 100% brasileira – vem fazendo na TV. E não só no Brasil, já que 62 países exibem os episódios, que têm 11 minutos de duração cada, e já foram traduzidos para sete idiomas. Por aqui os personagens acabaram de deixar a telinha para entrar em contato com a criançada também no teatro.

TV Globo
Angélica e Luciano Huck: idealizadores da montagem teatral de 'Peixonauta'
A ideia partiu de Luciano Huck e Angélica, que já trouxeram “Charlie e Lola” de Londres para os palcos nacionais. “Joaquim e Benício, filhos dos apresentadores, amam o desenho do peixinho”, explica Aniela Jordan, que produz o espetáculo ao lado de Luiz Calainho, seu sócio na Aventurinha, segmento infantil da Aventura Entretenimento. Negócio fechado com a TV Pinguim, criadora da série, o próximo passo, segundo Aniela, era o mais desafiador. “A dificuldade foi entender como a gente conseguiria passar para as crianças que já estão acostumadas a ver a série na TV, o próprio desenho no teatro”.

Para dar mais veracidade possível à empreitada, duas medidas foram tomadas: a história que está em cartaz no teatro, "O caso da grande chuva", foi escrita por uma roteirista da TV e as vozes dos personagens foram dubladas pelas mesmas pessoas que dublam a série original. “As crianças já têm essa referência sonora, por isso resolvemos mantê-las”, conta Marília Toledo, diretora geral da peça.

Depois disso, mais uma barreira deveria ser vencida. “Eu nunca trabalhei dessa forma, tendo que inserir a interpretação em falas pré-gravadas”, disse Marília. E continuou: “na peça trabalhamos com muitas camadas de som. Temos sempre um background, que é o barulho da floresta, da chuva ou do fundo do lago, temos a trilha sonora, os efeitos sonoros, a dublagem e a percussão ao vivo. O difícil foi juntar tudo isso em sincronia”.

Isabela Kassow
Três atores-manipuladores são responsáveis pelos movimentos de cada boneco
Marília elegeu a conceituada companhia de bonecos Pia Fraus para ajudá-la. “O Beto Andreeta, diretor da Pia Fraus, entrou no processo pra fazer essa direção específica dos bonecos. Com ele vieram os atores-manipuladores”, contou. Para a diretora, um longo passo foi dado nesse momento. “Eles já estão acostumados a manipular os bonecos, então nem precisamos ensinar nada”. Assim, para dar vida a cada personagem, são necessários três atores. “Um mexe com a cabeça e um braço, outro com o tronco e o outro braço e o terceiro com as pernas”, explicou Beto. A única exceção é em relação ao Peixonauta. “Neste caso usamos a técnica de varetas para mexer as nadadeiras, então é preciso apenas um ator para movimentá-lo”.

Isabela Kassow
O percussionista Matheus Prado faz ao vivo a marcação do texto e executa canções populares como "Ciranda Cirandinha" e "O Pato"
Mas apesar de experientes, os atores precisaram trabalhar duro. “Foram sete horas de ensaios por dia, de segunda a segunda, durante seis semanas”, lembrou Marília. Em cena, os oito atores algumas vezes até interagem com os personagens. “Aqui ninguém usa preto para se esconder. Eles ficam de verde, integrados ao cenário”, diz Aniela. Para a produtora, no entanto, depois de algum tempo de espetáculo as crianças nem percebem mais a presença deles ali, tamanho o encantamento com a história.

Outro ponto alto da produção é ter um percussionista fazendo ao vivo marcação de transições do texto, além da execução de canções populares, como Ciranda Cirandinha, Mulher Rendeira, O Pato, entre outras. O músico Matheus Prado, que exerce essa função pela terceira vez em peças infantis, também comanda a percussão corporal que personagens, em conjunto com as crianças da plateia, precisam fazer quando entra em cena a POP – uma bola colorida que faz duas entradas durante o espetáculo trazendo pistas para desvendar os mistérios da peça.

Isabela Kassow
A POP, bola colorida que traz pistas para desvendar os mistérios da história, é muito festejada pelas crianças
“Algumas crianças assistiram aos ensaios e pude constatar o poder que POP exerce sobre elas. É impressionante como elas são fascinadas pela bola”, conta Marília Toledo. Uma surpresa para os pequenos é que durante a montagem, nas duas vezes em que a POP é aberta, flores coloridas também aparecem, assim como na TV. Aniela Jordan relembra que para isso conversaram até com um profissional responsável pelos efeitos especiais dos shows de Paul McCartney. “Veio muita gente boa dando ideias das mais caras e mirabolantes possíveis. Ouvimos todas, mas uma hora tivemos que cair na real. É uma peça infantil, ora!”, diverte-se. E revela que a solução foi encontrada quando pararam para pensar que na série as flores não caem na cabeça das crianças. “Então fizemos o mesmo no teatro. Elas caem na beira do palco, como uma espécie de cortina. E funciona muito bem”, garante.

Isabela Kassow
A mochila do Peixonauta, que já está à venda no teatro, vem até com uma réplica da festejada POP
O espetáculo, voltado para crianças de 2 a 8 anos, deve ser também uma experiência ainda mais completa para os pequenos. “Na entrada do teatro teremos várias brincadeiras”, conta Aniela. E enumera: “Painel para fotos, pescaria ecologicamente correta onde será ‘pescado’ lixo do mar, além de vários brindes”. E no final do espetáculo é hora dos pais satisfazerem a voracidade dos baixinhos. “Bichos de pelúcia fofíssimos, além de itens como mochila do Peixonauta, lápis de cor e outros mimos estarão à venda em uma lojinha no teatro. Será uma experiência completa”, finaliza Aniela.

Peixonauta - O caso da grande chuva
Teatro Clara Nunes - (21) 2274-9696
Rua Marquês de São Vicente, 52, 3º andar - Shopping da Gávea - Rio de Janeiro
De 9 a 30 de janeiro: quintas e sextas 17h, sábados 16h e 18h, domingo 17h
Ingresso: R$ 60,00 / Meia entrada para menores de 12 anos e estudantes com carteirinha

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