Patrimônios imateriais são expressões de uma nação

Entre as expressões tombadas pela Unesco estão o flamenco espanhol, a ópera de Pequim e o samba do recôncavo baiano

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Espetáculo de dança flamenca, patrimônio imaterial da Espanha
Basta pensar flamenco para lembrar Espanha. Ópera? Tem de ser a de Pequim. Ritmos, danças, estilos e performances musicais também estão entre os mais novos integrantes da lista dos Patrimônios Imateriais da Unesco. Fácil entender. Eles expressam uma nação. Ou não seria tão fácil - e óbvio - fazer tais associações. O flamenco é movimento de corpo, é olhar, é emoção. Batida forte. Do ritmo, dos pés, da palma da mão. Uma arte característica da região da Andaluzia, no sul da Espanha. Mas o país todo também sabe expressá-la.

A Espanha ainda tem outro representante nessas tradições ligadas à música e às artes do corpo: el canto de la Sibila, um canto gregoriano que se interpreta nas igrejas da ilha de Mallorca, principalmente em Palma de Mallorca, na véspera de Natal. Durante o evento, o cantor anda em direção à capela-mor carregando uma espada, enquanto os coroinhas seguram velas.

Tão tradicional quanto as manifestações espanholas é o carnaval da cidadezinha belga Aalst. Os festejos começam no domingo anterior à quaresma cristã, duram três dias e significam o fim de um ano de muito trabalho dos habitantes para preparar a exuberante e satírica celebração.

A Ópera de Pequim é um dos espetáculos mais aclamados do mundo. No palco, canto, dança, teatro, artes marciais. Os artistas atuam no dialeto local, devidamente fantasiados - cada cor representa o status social de um personagem da história. Embora praticado em todo o país, é tradicional de Pequim. A Índia também está na lista com rituais musicais. A dança Chhau, que encena episódios épicos - como o Mahabharata e o Ramayana -, folclores e temas abstratos. As músicas e danças da comunidade Kalbelia. E o Mudiyettu, drama de Kerala baseado em lendas mitológicas.

Entre os bens imateriais do Peru que passaram a integrar a lista está o baile de la tijera, típico de vilarejos dos Andes. A população comparece em massa aos festejos nas ruas - fantasiada e com tesouras nas mãos. Ocorre nos meses secos, coincidindo com as principais fases do calendário agrícola. O México eternizou a fiesta de los Parachicos, com três séculos de tradição na cidade Chiapa de Corzo. A apresentação inclui instrumentos como tambor e apito, além de máscaras. Já o patrimônio colombiano é a marimba, instrumento herdado dos africanos, encontrado nos departamentos de Valle del Cauca, Cauca e Nariño.

O Brasil tem dois Patrimônios Imateriais, declarados pela Unesco em 2008. O samba de roda do Recôncavo Baiano, tradição do século 17 que envolve música, dança e poesia, e as expressões oral e gráfica dos Wajapi, índios do norte da Amazônia que falam tupi-guarani.

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