"Papel de artista não é ser funcionário público", diz secretário de Cultura do Amazonas

Robério Braga comenta polêmica das provas de qualificação para músicos em orquestras

Valmir Moratelli, enviado a Manaus (AM) |

“Aqui ninguém é funcionário público, nem poderia ser. Ninguém no Amazonas se sente insatisfeito por se submeter a concursos, porque isso já fica presente desde o começo, em contrato. Papel de artista não é ser funcionário público”. A declaração é de Robério Braga, secretário de Cultura do Amazonas, durante conversa com jornalistas no 8º Amazonas Film Festival, do qual é diretor-geral.

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Robério Braga comentou sobre a recente revolta na Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) , quando músicos foram demitidos por não aceitarem a se submeter a testes de competência artística. Este tipo de teste, segundo o secretário amazonense, já é comum no seu estado há mais de uma década.

“Nem todo mundo é Ana Botafogo. Quanto tempo demora a vida profissional de um bailarino? Não é justo que ele seja bancado para sempre pelo Estado. Por isso, sou adepto dos contratos temporários de trabalho”, disse.

Ainda de acordo com Braga, que está há quinze anos no cargo, tendo passado pelos quatro últimos governos estaduais, mais do que o mérito, o que vale nestas avaliações é a qualidade artística apresentada ao público. “A promoção é equivalente ao que o artista propõe. Além disso, todos os músicos são obrigados a dar aulas, a formar novos músicos”, disse, para em seguida elogiar a atuação de Roberto Minczuk, maestro da OSB que foi afastado da presidência da fundação da orquestra após a polêmica com os músicos.

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“Ele é bom, o problema é que a OSB tem estrutura diferente da nossa. Aqui é tudo preestabelecido em contrato. Vai ter, sim, que passar por avaliação. Que história é essa de se achar para sempre muito bom?”, provoca ele, que não é filiado a nenhum partido político.

Sobre o Amazonas Film Festival, que chegou à oitava edição e ter mina na noite do dia 9 de novembro, o secretário acha que a importância está em tirar do eixo Rio-São Paulo toda a concentração cultural do País. “É importante mostrar a força audiovisual e de mercado do Norte do Brasil está na hora de nos assumirmos um povo amazônico”, disse.

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