Os dez destaques da 29ª Bienal de Artes de São Paulo

Mostra abre as portas ao público neste sábado com 800 obras de 159 artistas

Augusto Gomes, iG São Paulo |

Agência Estado
Obra do artista chinês Ai Weiwei na 29ª Bienal de Artes de São Paulo
A partir deste sábado (25), São Paulo recebe mais uma edição da sua tradicional Bienal de Artes. Uma das mais importantes mostras artísticas do planeta, ela volta tentando apagar a má impressão da edição anterior, apelidada de "Bienal do vazio" por ter deixado um andar inteiro do Pavilhão Cicillo Matarazzo sem uma obra sequer e ter atraído um público de apenas 120 mil pessoas. Neste ano, o local está completamente tomado: mais de 800 obras ficarão expostas até 12 de dezembro, quando termina a mostra. A entrada é gratuita.

Antes mesmo de abrir as portas, o evento já vem provocando polêmica. A Ordem dos Advogados do Brasil, por exemplo, protestou contra a inclusão da série "Inimigos", do pernambucano Gil Vicente, alegando que ela faz apologia à violência. Nas telas, o artista aparece executando personalidades como Luís Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso. Apesar das críticas, a obra estará presente na Bienal.

Já a instalação "El Alma Nunca Piensa sin Imagen", do argentino Roberto Jacoby, não será exibida porque infringiria a lei eleitoral. Nela, Jacoby tentaria reproduzir uma campanha política (no caso, em prol da candidata Dilma Roussef), com direito a palanque, camisetas, panfletos e bótons. A lei, no entanto, veda a "veiculação de propaganda de qualquer natureza" em bens públicos, como é o caso do pavilhão da Bienal.

Augusto Gomes
Interior de "A Origem do Terceiro Mundo", de Henrique Oliveira
Mas essas polêmicas são apenas uma parte ínfima da mostra. Afinal, são 159 artistas, 800 obras, três andares e 27 mil metros quadrados para o visitante se perder (literalmente, porque o projeto arquitetônico de Marta Bogéa lembra um labirinto). Num universo tão vasto, há grandes obras misturadas com outras banais, mas o resultado geral é bastante positivo - principalmente se comparado ao da Bienal anterior.

Numa visita à Bienal, o iG Cultura fez uma seleção das dez obras que considera imperdíveis, seja pela beleza, impacto, importância e mesmo potencial de polêmica. Veja abaixo os destaques da exposição:

"A Origem do Terceiro Mundo", de Henrique Oliveira
Terceiro piso

A obra do artista plástico paulista Henrique Oliveira é inspirada no quadro "A Origem do Mundo", de Gustave Courbet. A pintura causou escândalo no século 19, ao retratar de forma explítica uma mulher de pernas abertas. A instalação de Oliveira se assemelha a uma vagina gigante, pela qual o visitante pode entrar. Lá dentro, ele encontra um emaranhado de túneis feitos de compensado de madeira. As curvas, reentrâncias e protuberâncias tornam esse labirinto orgânico.

"As Aventuras de Guille e Belinda e o Enigmático", de Alessandra Sanguinetti
Primeiro piso

Nascida nos Estados Unidos e criada na Argentina, Alessandra Sanguinetti é uma das fotógrafas mais originais da atualidade. A série "As Aventuras de Guille e Belinda e o Enigmático" são duas primas que vivem na zona rural da Argentina e foram retratadas por Alessandra durante vários anos. Apesar de documentar esse cotidiano, as imagens têm um caráter fortemente onírico e irreal, como se fossem retratos de um conto de fadas.

Augusto Gomes
"350 Pontos em Direção ao Infinito", de Tatiana Trouvé
"350 Pontos em Direção ao Infinito", de Tatiana Trouvé
Segundo piso

A obra da italiana Tatiana Trouvé é composta de diversos pêndulos de metal presos ao teto por fios, que se cruzam em diagonais em diferentes sentidos. No chão, há imãs escondidos que atraem os pêndulos, construindo em emaranhado que parece desafiar a lei da gravidade. O resultado, ao mesmo tempo leve e tenso, é uma das instalações mais enigmáticas desta 29ª Bienal.

"Faenza", de Miguel Ángel Rojas
Terceiro piso

"Faenza" foi produzida pelo artista plástico colombiano Miguel Ángel Rojas nos anos 1970. Trata-se de uma série de fotos feitas clandestinamente num cinema decadente no centro de Bogotá, frequentado por homossexuais em busca de encontros amorosos. São imagens pouco definidas, pela própria maneira em que foram captadas (Rojas usou uma câmera escondida, em condições de pouca luz), que revelam um mundo à época clandestino.

"Matéria Noturna", de Rodrigo Andrade
Primeiro piso

As grandes pinturas do paulista Rodrigo Andrade expostas no primeiro piso do Pavilhão da Bienal retratam sempre cenas noturnas, difíceis de identificar à distância. Ao se aproximar, é possível perceber uma série de desoladas cenas urbanas. A técnica usada pelo artista faz com que os focos de luz praticamente saltem da tela, dando um efeito quase fotográfico às imagens.

"Pedintes", de Kutlug Ataman
Segundo piso

Numa sala escura, uma série de imagens em preto e branco e em câmera lenta de pedintes é projetada nas paredes. O efeito é desconfortável, como se as pessoas estivessem pedindo dinheiro para o próprio visitante. Mas, ao mesmo tempo, há um forte efeito teatral, como se aquelas cenas fossem encenadas pelos pedintes. Os vídeos foram feitos nas ruas de Istambul pelo artista plástico turco Kutlug Ataman.

Agência Estado
Os urubus de "Bandeira Branca", de Nuno Ramos
"Inimigos", de Gil Vicente
Terceiro piso

Depois que foi acusada pela Ordem dos Advogados do Brasil de fazer apologia à violência, a série "Inimigos", do pernambucano Gil Vicente, tornou-se um dos destaques da Bienal. Na obra, o próprio artista aparece se preparando para executar uma série de líderes políticos. Ele não faz distinção de partido: Luis Inácio Lula da Silva tem uma faca no pescoço, e Fernando Henrique Cardoso está sob a mira de uma arma.

"Centro de Pesquisa da Normalidade Brasileira", de Jimmie Durham
Segundo piso

Numa sala, diferentes objetos e recortes de jornais e revistas são reunidos para expressar a visão do artista plástico americano Jimmie Durham sobre o Brasil. "Centro de Pesquisas da Normalidade Brasileira" é um retrato pouco agradável do país, onde segregação social e violência fazem parte do cotidiano.

"A Balada da Dependência Sexual", de Nan Goldin
Terceiro piso

A fotógrafa americana Nan Goldin ficou famosa pela série de fotos com que retrata, desde a década de 1970, um cotidiano de sexo e violência. Uma amostra desse trabalho está presente na Bienal com a instalação "A Balada da Dependência Sexual", que exibe centenas de imagens feitas durante 25 anos, entre 1979 e 2004.

"Bandeira Branca", de Nuno Ramos
Segundo piso

No vão central do Pavilhão Cicillo Matarazzo, o brasileiro Nuno Ramos reuniu estruturas arrendondadas de até oito metros de altura, três urubus vivos e caixas de som tocando músicas como "Bandeira Branca", que dá título ao trabalho. A obra, que provocou a ira de entidades de defesa dos animais, é a maior de toda a exposição.

Veja abaixo os destaques da Bienal em vídeo:

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