Rigoletto fica em cartaz por duas semanas em São Paulo, com comando do maestro Roberto Duarte

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Divulgação
Carolina de Comi (Gilda) e Sérgio Weintrub (Duque de Mantova) na nova montagem de Rigoletto
"Há personagens que se interpreta com tranquilidade. Outros, exigem cuidado." É assim que o barítono Lício Bruno começa a descrever Rigoletto , papel-título da obra de Verdi que ganha a partir de hoje nova montagem no Theatro São Pedro. "Não há como cantá-lo sem um senso grande de responsabilidade e reverência", continua o cantor, que tem despontado nos últimos tempos como intérprete de alguns dos principais papéis verdianos.

Inspirado em Victor Hugo, Rigoletto narra a história do bobo da corte que se vê às voltas com o ódio pelo duque a quem serve – e o medo de perder a filha, Gilda. "Musicalmente, é uma das criações mais difíceis da literatura para barítono. Além da tessitura, exige uma variação de timbre muito grande até porque dramaticamente tudo é sempre muito intenso", diz Bruno. "É um homem sombrio, uma pessoa desprovida de amor próprio, de onde vem uma ironia muito grande, mordaz. Ao mesmo tempo, todo lado humano ele projeta na figura da filha, que para ele representa a mulher que um dia ele amou, mas perdeu. Sua carga de revolta com relação à vida é, por isso, muito grande, o que leva a uma carga emocional forte."

A produção é assinada pelo maestro Roberto Duarte – que comanda a recém-formada sinfônica do Teatro São Pedro em sua primeira ópera – e pela diretora cênica Lívia Sabag. No elenco da estreia, além de Bruno estão a soprano Laura Rizzo, como Gilda, o tenor Miguel Geraldi, como o duque, o baixo Sávio Sperandio, como Sparafucille, e a mezzo Adriana Clis, no papel de Madalena; no segundo elenco, Rigoletto será vivido pelo experiente Sebastião Teixeira, ao lado da soprano Caroline De Comi, do tenor Sérgio Weintraub, do baixo Fernando Gazoni e da mezzo Keila de Morais.

A primeira vez que Bruno interpretou Rigoletto foi em 2001, em Brasília. De lá para cá, não apenas acrescentou outros papéis de Verdi a seu repertório–- como Iago, em Otello , e Germont, em La Traviata – como ofereceu boas leituras de Wagner, como Wotan, no Anel do Nibelungo , e Telramund, em Lohengrin . "Muito mudou nesses quase dez anos, no aspecto técnico e vocal, uma maturidade que vem com o tempo. Hoje chego ao final da ópera com a voz inteira, com fôlego, tranquilidade. E as vivências pessoais, os profissionais com quem trabalhei, tudo isso me coloca em uma etapa diferente de minha carreira. E tenho sentido que Verdi se encaixa bem neste meu momento", diz. Em outubro, ele vai interpretar Nabucco, em Belo Horizonte.

Rigoletto - Theatro São Pedro (636 lugares). Rua Barra Funda, 171. Tel: (11) 3667-0499. Quarta a sexta, às 20h30; sábado e domingo, às 17h. R$ 20. Até 1º de agosto.

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