Óperas são transmitidas ao vivo para salas de cinema

Espetáculos da Metropolitan Opera House de Nova York tem encontrado acolhida do público, inclusive entre os brasileiros

Agência Estado |

Ken Howard/Divulgação
"Don Carlo", ópera que será exibida nesta terça
No começo de dezembro, o baixo italiano Ferruccio Furlanetto preparava-se para subir mais uma vez ao palco do Metropolitan Opera House de Nova York e, caracterizado como Felipe II, encontrar-se com sua futura esposa, a herdeira do trono francês. Até aí, nada de novo: o monarca espanhol, retratado por Verdi na ópera "Don Carlo", é um de seus grandes papéis – assim como o Metropolitan tem sido um dos palcos principais de sua carreira. A diferença é que, desta vez, além das quase 4 mil pessoas presentes no teatro, sua voz seria ouvida por centenas de milhares de espectadores espalhados por salas de cinema de todo o mundo.

A transmissão faz parte do projeto Met Live in HD, que nos últimos três anos movimentou o mundo lírico. A ideia é simples: ao longo da temporada, alguns espetáculos são transmitidos ao vivo para cinemas, multiplicando o público numa época em que teatros de ópera anseiam por maior espaço no cenário cultural. No Brasil, as transmissões já duram pouco mais de um ano, pelas mãos da LiveMobz, braço da Mobz especializado na exibição ao vivo nos cinemas de shows de rock, óperas e balés.

"Don Carlo", excepcionalmente, não foi transmitido ao vivo e chega hoje a 24 salas da rede Cinemark de 12 cidades do País. Em janeiro, as transmissões voltam a ser geradas diretamente do Metropolitan, com "La Fanciulla del West", de Puccini – e entre os destaques do primeiro semestre estão ainda óperas como "A Valquíria", de Richard Wagner.

"As transmissões mudam muita coisa", diz Furlanetto, um dos principais cantores líricos da atualidade. "O risco da apresentação é muito maior, precisamos estar sempre prontos para uma grande performance ao vivo em um mundo de espetáculos acostumado à segurança do playback."

Mas há algo maior em jogo, como sugeriu o diretor do Metropolitan, Peter Gelb, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo no começo do ano: a transmissão de certa forma é um passo adiante na redefinição da linguagem do espetáculo operístico, afinal, com tomadas arrojadas e apostas em closes, aproxima o espectador do que acontece no palco e exige maior cuidado na interpretação.

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