Oi lança edital para patrocínio cultural incentivado em 2011

Empresa investiu R$ 40 milhões em 259 projetos aprovados para 2010; MinC defendeu maior participação do Estado no setor

Vicente Seda, iG Rio de Janeiro |

A Oi lançou nesta segunda-feira, no Oi Futuro - o instituto de responsabilidade social da empresa, no Flamengo, Zona Sul do Rio -, o edital para a seleção de projetos no programa Oi Patrocínios Culturais Incentivados.

O evento contou com a presença do Ministro da Cultura, Juca Ferreira, que além dos elogios à iniciativa defendeu mudanças na legislação de incentivo e direitos autorais no Brasil, ressaltando que é obrigação do governo dar condições de desenvolvimento ao setor, que considera uma necessidade básica da população.

Vicente Seda/iG
O ministro Juca Ferreira, no evento Oi Futuro
Os projetos poderão ser inscritos até o dia 13 de dezembro e passam por um processo de seleção em três etapas. Na primeira, não eliminatória, as propostas recebem pontuações sob avaliação de uma comissão de especialistas convidados pela Oi. Em seguida, uma comissão formada por integrantes do Oi Futuro filtra os projetos e faz uma lista já adequando as propostas ao orçamento. Por fim, o conselho da empresa dá o aval para os patrocínios. O resultado da seleção deverá ser divulgado no primeiro trimestre de 2011.

Em 2010, houve investimento de R$ 40 milhões da Oi

De acordo com dados divulgados durante o evento, em 2010 os patrocínios se estenderam a 15 estados. O maior número de projetos inscritos foi no Rio, com 2.081, seguido por São Paulo, com 1.039 e Minas Gerais, com 413. Maria Arlete, diretora de cultura do Oi Futuro, afirmou que, com 5.355 projetos inscritos para patrocínio em 2010, o número praticamente dobrou em relação ao ano anterior. Foram aprovados 259 projetos.

"Houve um crescimento de quase 100%. Em 2010, foram cerca de R$ 40 milhões investidos. Os projetos são avaliados pela capacidade técnica do proponente, objetivos e resultados esperados, desdobramentos sociais para a região, parcerias existentes e capacidade de mobilização de sua área cultural e público beneficiado", explicou Arlete.

Ministro cita China para defender participação do governo

O ministro Juca Ferreira usou frases de efeito para enfatizar a política do governo Lula para a cultura. Disse que a política do "farinha pouca, meu pirão primeiro" precisa mudar, pois muitas vezes se vê a "árvore, mas não a floresta". Ele rasgou elogios ao modelo adotado pelo governo da China e citou o investimento do país na produção de animação.

"É uma vergonha mais de 90% dos municípios do Brasil não terem um teatro, um cinema sequer. Isso é ação do Estado, ele é que tem a obrigação. Na China é invejável a participação do governo. É preciso investimento pesado e a China é impressionante. Software, por exemplo. Os Estados Unidos só liberam quando não há mais novidade, não é mais inédito. Então eles (os chineses) importaram e instalaram centros de tecnologia para produzir softwares e atender a demanda da futura indústria de animação da China. Estão com meta de em cinco anos serem um dos cinco maiores produtores de animação no mundo", disse o ministro.

Juca Ferreira: "Números (da cultura no Brasil) são horrorosos"

Entre críticas à imprensa - que afirma viver no mundo da "Guerra Fria" quando se trata da intervenção do governo na cultura - e brincadeiras, Ferreira não hesitou em afirmar que os números do setor no Brasil ainda são "horrorosos".

"Em qualquer área da cultura, tem tarefa para o Estado e para a iniciativa privada. A discussão é muito confusa. A imprensa não ajuda. Toda vez que a gente se mexe, atiram antes de perguntar. Ninguém quer estatizar a cultura. O que me incomoda é que 53% da economia da cultura esteja na informalidade. Esse negócio da estatização é coisa do tempo do napalm, da Guerra Fria. O Estado tem obrigação de atender demandas da sociedade. Os números do IBGE e do Ipea são horrorosos. Cultura é uma necessidade básica, como é comida, saúde, voto, educação. Às vezes as pessoas enxergam as árvores, mas não a floresta. É preciso ver o conjunto. Antes imperava aquela frase 'farinha pouca, meu pirão primeiro', e estamos conseguindo mudar isso", afirmou.

Ministro defende mudanças na legislação

Ferreira comentou também a atual legislação vigente, e afirmou que a questão do direito autoral no país é uma "caixa preta". "Direito autoral no Brasil não reconhece o mundo da internet, toda a tecnologia digital. Fico até com medo de usar Ipod. Aqui é o único lugar do mundo em que o direito autoral não tem um mecanismo de transparência. O artista tem de saber qual é a sua parte e por que está recebendo aquele valor".

A Oi é controladora do iG.

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