Novo espetáculo de Os Satyros discute as novas tecnologias

Sem história central, peça "Cabaret Stravaganza" flerta com dinâmica dos reality shows

AE |

Divulgação
Elenco da Companhia Satyros
Uma nova humanidade demanda, necessariamente, um novo teatro. Foi guiada por essa crença que a cia. Os Satyros criou "Cabaret Stravaganza", espetáculo que entra nesta quinta-feira (20) em cartaz. Em pauta, está o impacto das novas tecnologias sobre o homem. O efeito que tantas mudanças tiveram sobre nossos corpos, nossas formas de relacionamento, nossa maneira de ver e compreender o mundo. "Estamos diante de uma outra humanidade. Quem seria Hamlet hoje? Será que ele teria um perfil no Facebook? Uma identidade falsa?", questiona o diretor Rodolfo García Vázquez. "Não vamos conseguir tratar disso se usarmos as formas dramáticas convencionais."

Em uma de suas montagens anteriores, "Hipóteses sobre o Amor e a Verdade", o grupo já ensaiava os primeiros passos em direção ao que chama de "teatro expandido". Na peça de 2010 eles já experimentavam mirar o território dos "amores líquidos". Flagravam relacionamentos nascidos em ambiente virtual e, para retratá-los, optavam por uma forma fragmentária.

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Em "Cabaret" também não existe uma fábula a conduzir a encenação. À maneira de um cabaré dadaísta, elencam-se quadros, aparentemente desconectados. Sucedem-se assim histórias de suicídio, de depressão, do impacto do uso de medicamentos, da dependência que criamos em relação a aparelhos eletrônicos.

Outro dado que aparecia em "Hipóteses" e que será retomado no trabalho atual é o pendor para a performance. Não vemos propriamente personagens, mas atores que se colocam em cena e vasculham suas biografias.

Nesse sentindo, estão lançadas as bases de uma estética que flerta com a dinâmica própria do reality show, capaz de exacerbar ainda mais o cunho performático que já ronda o teatro há pelo menos três décadas. "Não estamos buscando referências dentro do teatro, mas fora dele. Em pessoas que estejam discutindo essa nova realidade", lembra o diretor.

Alçada a primeiro plano está a noção de ciborgue. E, aqui, não se está a falar de alguma distante criatura, que povoa apenas as narrativas de ficção científica. Revela-se o corpo modificado pelos implantes mecânicos, mas também pelas evoluções nas áreas de nanotecnologia e genética. Pelas possibilidades de cura e de transformação ofertadas pela medicina.

Quando entram no palco, os atores não deixam de lado seus apêndices eletrônicos: laptops, iPads e iPhones são utilizados para criar imagens, iluminar cenas, mostrar gravações. "Toda a nossa relação com o mundo hoje é eletrônica. E esse mundo digital não é apenas uma fantasia. Ele afeta diretamente o mundo real, físico", comenta Vázquez. Sem tomar partido - não se trata de louvar as mudanças tecnológicas nem tampouco de assumir um olhar nostálgico para uma era pré-eletrônica -, a intenção é trazer essas novas questões para dentro da peça.

SERVIÇO
Cabaret Stravaganza
Espaço dos Satyros Um (Praça Roosevelt, 214)
De quinta a sábado, às 21 h
R$ 20
Até 17 de dezembro

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