Niemeyer: "A arquitetura deve aproximar as pessoas das obras de arte"

"A base da arquitetura é a invenção", afirma o brasileiro nascido em 1907

EFE |

Reuters
O arquiteto Oscar Niemeyer, prestes a completar 103 anos
Próximo de completar 103 anos, o arquiteto Oscar Niemeyer se mantém ativo à frente de seus estudos e fiel à sua concepção de que a arquitetura deve aproximar as pessoas ao que é uma obra de arte. "Essa é a arquitetura que eu faço. Não me limito a procurar a solução correta que o tema pede. Eu quero que a coisa seja bonita, que aproxime as pessoas das obras de arte", explicou em entrevista à Agência EFE.

Niemeyer, o revolucionário arquiteto que deu vida ao concreto armado com obras monumentais nas quais suaves curvas evocam formas femininas e ondas do mar que se quebram na praia de Copacabana, a poucos metros de seu estúdio, é um promotor da liberdade de criação, da estética, da beleza e da funcionalidade das obras.

"Eu faço minha arquitetura", disse, para destacar a inovação que está sempre presente em seus desenhos, nos quais seus traços são inconfundíveis sem serem repetitivos. "Hoje, o arquiteto tem o concreto armado que lhe oferece todas as possibilidades. Então, é função do arquiteto trabalhar o concreto armado, explorá-lo, procurar suas bases criativas (...) Eu faço isso".

Para Niemeyer, nascido em 15 de dezembro de 1907 no Rio de Janeiro, "a base da arquitetura é a invenção", definição que repetiu na entrevista de lançamento da edição número 7 de sua revista, "Nosso Caminho", na qual apresenta quatro projetos inéditos. "Minha preocupação sempre é que quem vir um edifício realizado sinta que é diferente dos outros e não uma cópia, não uma continuação", explicou.

Essa concepção é palpável em Brasília, para a qual desenhou, na década de 50, os principais edifícios e espaços públicos. Obras como o Palácio do Planalto, o Palácio da Alvorada, o Congresso Nacional, com suas duas cúpulas monumentais, a Praça dos Três Poderes, o Palácio de Itamaraty e a catedral saíram de seu gênio criador.

O nome de Niemeyer estará para sempre associado a Brasília, mas o arquiteto destacou que o projeto urbanístico da capital foi de seu parceiro Lúcio Costa. "Ele (Costa) pensou em Brasília e fez o plano de urbanismo. Eu o ajudei, como outros arquitetos, na parte de arquitetura, apenas isso", disse, com modéstia, o homem que há 78 anos se dedica a um ofício com o qual ganhou diversos prêmios, como o Pritzker (1988), o Príncipe de Astúrias (1989) e o Leão de Ouro da Bienal de Veneza (1996).

Niemeyer também deixou sua marca artística em diferentes países com trabalhos como a sede do Partido Comunista Francês (Paris), a Casa de Cultura (Le Havre, França), a Universidade de Constantina (Argélia), os escritórios do editorial Mondadori (Itália) e, mais recentemente, o Centro Cultural Internacional Oscar Niemeyer, em Avilês (Espanha).

A Fundação Niemeyer espera inaugurar o centro no dia do 103º aniversário do artista, uma homenagem que disse ter recebido com "agrado". "Só tenho de agradecer aos que trabalharam lá, aos que estão fazendo o trabalho. São engenheiros e arquitetos muito competentes. A obra está sendo muito bem executada. Fico satisfeito com esse projeto, é um dos que mais me agrada ver realizado".

O diretor do centro, Natalio Grosso, que foi ao Rio de Janeiro para o lançamento do novo número da revista dirigida por Niemeyer, comentou que o artista participa de todos os detalhes da obra em Avilês. "Niemeyer está encantado, feliz e muito satisfeito (...) sobretudo com o sentido social do projeto que, como ele mesmo definiu, se trata de uma grande praça aberta a todas as pessoas, para a educação e a cultura."

Oscar Niemeyer, que iniciou sua carreira em 1932, mantém, além de sua atividade profissional, um enorme interesse por aprender e por estar informado do que acontece no mundo, e por isso reserva uma tarde por semana para debater com um professor e amigos próximos sobre filosofia e cosmologia.

"É a curiosidade", responde a uma pergunta sobre esse desejo de seguir estudando e acrescenta: "quando vejo uma obra sobre o Cosmos e me deparo com o universo fantástico em que vivemos, vejo que somos pequeninos".

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