Músico vai processar humorista do Proibidão do Stand Up e casa de shows

Envolvidos no evento podem ter que responder na Justiça por show de humor politicamente incorreto

Guss de Lucca, iG São Paulo |

O músico Raphael Lopes vai processar o humorista Felipe Hamachi e o Kitsch Club por ter sentido-se ofendido com uma piada que considerou racista feita no Proibidão do Stand Up , show de comédia realizado na última segunda-feira (dia 12), em São Paulo.

A segunda noite do Proibidão do Stand Up vai acontecer nesta segunda-feira (dia 19), também no Kitsch Club. No evento, comediantes fazem piadas com temas considerados delicados, como deficiência física, raça e opção sexual.

Em conversa com o iG nesta sexta-feira (dia 16), o advogado Dojival Vieira, representante do músico, disse que prepara medidas "nas esferas administrativa, penal e civil".

Divulgação/Luis França
Os comediantes do "Proibidão do Stand Up" durante a primeira noite do evento, em São Paulo
Para Dojival, o espetáculo não pode ser considerado como humor: "É a ausência absoluta de talento e arte. Não se pode instalar um vale-tudo, um espaço em que as leis asseguradoras de direitos não são levadas em conta. A Constituição Brasileira não permite."

De acordo com o advogado, as piadas não atingiram apenas seu cliente. "[No evento] Foram feitas piadas pesadas, com apologia à pedofilia e atingindo a dignidade de pessoas portadoras de deficiência. Todos esses grupos socialmente vulneráveis foram alvos desse espetáculo de horror, sob o pretexto de uso da liberdade de expressão."

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Nesta segunda (19), Dojival vai pedir a instauração de inquérito policial na Delegacia de Crimes Raciais.

"Também vou pedir a intervenção do Ministério Público. Alega-se que o termo assinado na portaria isentaria os presentes. Esse termo não tem nenhuma validade, é apenas a confissão do que pretendiam promover. Vou pedir à Secretaria da Justiça a aplicação da lei 14.187 de 2010. Ela pune os crimes de discriminação racial na esfera administrativa e prevê a advertência ou cassação do alvará de funcionamento da casa."

No âmbito civil, o advogado disse estar trabalhando numa ação de indenização por danos morais, mas não adiantou o valor.

Dojival alega que a atitude do músico não pode ser confundida com censura. "A liberdade de expressão não tem valor absoluto. Não autoriza a prática de crimes e piadas como as que foram ditas. De acordo com o meu cliente, um dos humoristas disse que preferia comer uma criança de cinco anos do que um cadeirante."

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