Musical "Orfeu" encerra temporada em São Paulo

Dirigido por Aderbal Freire Filho, espetáculo revisita obra que deu início à parceria de Vinicius de Moraes e Tom Jobim

Augusto Gomes, iG São Paulo |

Divulgação
Cena do espetáculo "Orfeu", em cartaz em São Paulo até domingo (03)
Depois de apenas duas semanas e oito apresentações, o musical "Orfeu" despede-se de São Paulo neste final de semana. O espetáculo é uma adaptação da célebre obra que estreou em 1954, e marca o início de uma das mais importantes parcerias da música brasileira: Vinicius de Moraes e Tom Jobim. Na trama, o mito grego de Orfeu e Eurídice (o primeiro, apaixonado, vai até o inferno em busca de sua amada) é transportado para as favelas do Rio de Janeiro.

"A estreia é a mais simultânea possível que o teatro permite", explica o diretor Aderbal Freire Filho. Antes dessa temporada de duas semanas no HSBC Brasil, em São Paulo, o musical ficou outras duas semanas no Canecão, no Rio de Janeiro. Depois, segue para Brasília, onde fica apenas um final de semana. "Inicialmente, vamos fazer temporadas curtas em várias cidades. Minha vontade era estrear no Brasil inteiro no mesmo dia, mas isso só é possível no cinema", diz.

Aderbal explica que "não mexeu nas cenas originais". Tanto que não suprimiu nada do texto, apenas colocou novas cenas e músicas. "Acrecentei algumas passagens, mas sempre respeitando as indicações do texto de Vinicius de Moraes", afirma. E quanto às músicas? "'Orfeu' foi o início da parceria de Vinicius e Tom. Depois, eles fizeram muitas outras músicas juntos. Usamos algumas delas", conta. "O critério de escolha foi a adequação delas ao contexto da peça. Algumas se encaixavam perfeitamente".

No espetáculo original estavam clássicos como "Se Todos Fossem Iguais a Você", por exemplo. Nessa montagem, entraram composições posteriores da dupla, como "Água de Beber", "A Felicidade", "Chega de Saudade" e "O Morro Não Tem Vez".

Aderbal é só elogios aos atores. "É um elenco maravilhoso. Um dos melhores com que já trabalhei", afirma. Os atores - todos negros - fizeram testes apenas de canto. "Depois que o elenco foi definido, fiz duas semanas de ensaio sem definir os personagens", explica.

No papel de Orfeu, está o baiano Érico Brás, visto recentemente nos cinemas no filme "Quincas Berro d'Água". Eurídice é vivida pela também baiana Aline Nepomuceno, que estrelou a minissérie "Ó Paí Ó". Outro destaque é Wladimir Pinheiro, que vive o poeta claramente inspirado no próprio Vinícius de Moraes. O personagem é uma das novidades instituídas por Aderbal Freire Filho, e substitui o corifeu (chefe do coro) do espetáculo original.

Outra novidade, só que bem discreta, é a presença da violência na favela. "Eu dou um pequeno toque, com três personagens que são bandidos. Mas foi só isso. Não quis enfatizar a violência", explica o diretor. "Naquela época ( década de 1950 ), a favela já era vista como um lugar perigoso. As pessoas diziam que samba era coisa de bandido. Vinícius não tratou desse tema porque esse não era seu objetivo. Não quis desrespeitar essa visão".

Serviço

"Orfeu"
HSBC Brasil (Rua Bragança Paulista, 1281, Chácara Santo Antônio)
Sexta (01) e Sábado (02), às 22h; Domingo (03), às 19h
Ingressos: R$ 30 a R$ 180 (estudantes pagam meia)
http://www.ingressorapido.com.br

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