Zélia Duncan canta Luiz Tatit em temporada de shows em SP

Cantora fala ao iG sobre as apresentações e comenta 'Borboleta', música feita com Arnaldo Antunes e Marcelo Jeneci

Pedro Alexandre Sanches, repórter especial iG Cultura |

Diferentemente de várias tribos de paulistas e de cariocas, a niteroiense Zélia Duncan não gosta de alimentar bairrismos. Depois de muito interpretar repertório do paulista Itamar Assumpção, a cantora e compositora inicia neste sábado (3 de setembro), no Sesc Belenzinho, uma temporada de shows fundada na obra de Luiz Tatit, outro representante da chamada vanguarda paulista dos anos 1980, quando integrava o grupo Rumo.

"Tô Tatiando" fica em cartaz até o próximo dia 18, com sessões às quintas, sextas, sábados e domingos. O repertório novo coincide com o lançamento de DVD e CD ao vivo baseados no disco anterior, "Pelo Sabor do Gesto" (Universal, 2009), seu segundo trabalho pela gravadora carioca Biscoito Fino (o primeiro, anterior a "Pelo Sabor do Gesto", foi "Amigo É Casa", de 2008 em parceria com a cantora Simone).

AE
A cantora Zélia Duncan


Apesar do subtítulo "Em Cena", a versão ao vivo de Pelo Sabor do Gesto tem um apêndice "em estúdio", com quatro gravações inéditas, inclusive releituras de Roberto Carlos e Tom Zé, e uma engenhosa canção pop sobre compor canções pop, escrita em parceria quádrupla com Alice Ruiz, Arnaldo Antunes e Marcelo Jeneci.

“Música é que nem borboleta/ ela voa pra onde quiser/ ela pousa em quem quiser/ não é homem e nem mulher/ músoca que sai da gaveta/ se traveste na voz de alguém/ quando entra dentro da cabeça/ não é sua e nem de ninguém”, diz a letra de “Borboleta”, que aborda também aquelas canções-chiclete, que grudam irritantemente na memória: “Às vezes ela é como um ladrão/ ou um convidado trapalhão/ depois que entra não quer mais sair/ quer repetir, repetir, repetir”.

Veja letras e ouça músicas de Zélia Duncan

Leia a entrevista de Zélia Duncan ao iG , por e-mail.

iG: Você pode contar um pouco sobre esse show com músicas do Luiz Tatit? O que significa ele ser dirigido por uma atriz, Regina Braga?
Zélia Duncan:
Significa, desta vez, querer mesmo que seja escancaradamente teatral. É a tentativa de representar as músicas dele, que consideramos, muitas vezes, conter um personagem dentro delas.

iG: Pode adiantar algo sobre o repertório? São músicas inéditas, músicas do
Rumo, músicas da fase solo dele?
Zélia Duncan:
São 15 músicas, de fases diferentes. Tanto da época do Rumo quanto dos
solos.

iG: Até hoje a chamada vanguarda paulista não teve grande penetração no Rio. Você é de Niterói e já cantou muito Itamar Assumpção. De onde vem essa identificação? Como é atravessar essa ponte?
Zélia Duncan:
Faço isso , hoje em dia, com muita naturalidade. Tem muita gente que pensa que moro em São Paulo, ou que nasci em São Paulo, tamanha a identificação que sinto e demonstro. Nosso espetáculo fala também dessa ponte, que começou a ser construída nos anos 1980, quando a coisa estava pegando fogo aqui e eu, adolescente, sonhava em vir pra São Paulo, fazer backing pro Itamar.

iG: Seu novo DVD e CD é ao vivo, mas tem uma seção de gravações inéditas,
contando inclusive com “Borboleta”, uma canção com pinta de faixa de trabalho de disco de estúdio. Por que essa hibridez?
Zélia Duncan:
É só a pinta mesmo, pois não é a música de trabalho. Por mim, teria saído apenas o DVD. Como a Biscoito Fino argumentou que seria bom, achei que devia fazer um CD que não fosse a cópia do DVD. Essas músicas novas me deram vontade de registrar também em estúdio, por puro carinho com elas. Como o estúdio estava na mão e como não teria sentido gravá-las de novo num outro trabalho, optei por juntar tudo e, assim, ter duas versões, ao vivo e em estúdio, mesmo das músicas novas. Não sabia como ia soar, mas gostei da baguncinha.

iG: Pode falar um pouco sobre “Borboleta”?
Zélia Duncan:
Ela surgiu totalmente ao acaso. Eu e Marcelo Jeneci fomos pra casa de Alice Ruiz, na época em que eu estava gravando a parte paulista de “Pelo Sabor do Gesto”, com o produtor Beto Villares. Marcelo tocou em várias faixas e virou meu parceiro em “Todos os Verbos”. Estávamos empolgados com nosso encontro e fomos ver Alice, pra terminar uma música. No meio de uma conversa, na qual eu falava que “guardei” “Telhados de Paris”, do Nei Lisboa, durante 20 anos e que tinha finalmente resolvido gravar, Jeneci pegou o violão e começou a rodar a sala, cantando, “musica é que nem borboleta” e provocando a gente. Cada uma fez um pedaço e ele levou pro Arnaldo Antunes num outro dia. Assim nasceu a “Borboleta”, que parece música de criança e que, talvez por isso mesmo, tenha uma empatia imediata.

iG: Também na seção em estúdio temos Roberto Carlos, “Por Isso Corro
Demais”, e Tom Zé, “Defeito 10: Cedotardar”. Que mistura é essa?
Zélia Duncan:
A minha! Why not?

Zélia Duncan
Sesc Belenzinho (r. Padre Adelino, 1.000, São Paulo; tel. 2076-9700)
De 3 a 18 de setembro (quintas, sextas e sábados, às 21h; domingos, às 18h)
De R$ 8 a R$ 32

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