Zeca Pagodinho estreia novo show em SP

Aos 51 anos, cantor reafirma a importância da tradição dentro do samba

AE |

Fabrizia Granatieri
O cantor Zeca Pagodinho
O samba de Zeca Pagodinho atingiu um status pop difícil de explicar. Qualquer preconceito musical contra o ritmo é relevado quando o tópico do assunto é o ilustre filho de Xerém. É evidente que a presença de músicas suas nas novelas da TV Globo tem grande peso nisso. É difícil não cantarolar "você sabe o que é caviar? Nunca vi, nem comi, eu só ouço falar", de "Celebridade" (de 2003 a 2004), ou "Jura. Jura pelo Senhor. Jura pela imagem da Santa Cruz do Redentor, pra ter valor a sua jura", versão da música de Sinhô, que tocou à exaustão em "O Cravo e a Rosa" (de 2000 a 2001).

Qual é o segredo? Nem mesmo o sambista de 51 anos, que amanhã faz o primeiro show da turnê do recém-lançado CD "Vida da Minha Vida", aqui em São Paulo, no Credicard Hall, sabe explicar. "Acho que é porque fazemos coisas com qualidade. Temos bons músicos, boa vontade", diz o cantor. Mas, segundo Zeca, o mais importante é que por mais que novas influências sempre cheguem ao samba, sua música segue certas tradições importantes para marcar presença. Há, claro, a chegada das harpas e instrumentos de cordas, presentes no seu último álbum, mas os tradicionalíssimos cuíca, o violão de sete cordas e bateria não faltam. "Mantemos essa tradição. É uma música pulsante. Tudo bem marcado".

O sambista não estranha o fato de os dois shows de estreia da turnê - amanhã e depois - serem em São Paulo. "A plateia é igual". Depois das duas apresentações aqui, Zeca toca no Rio de Janeiro (10 e 11/12) e Pelotas (17/12). Shows só nos fins de semana. A saudade dos filhos e netos é mais forte. O bamba agora é um homem-família. Sem grandes farras. A cervejinha ainda está presente, mas já não fuma.

No lançamento de Vida da Minha Vida, em setembro, em entrevista concedida ao Jornal da Tarde no Rio, Zeca não conseguia ficar distante do netinho Noah, hoje com 9 meses. Era um dengo só, bonito de se ver. E é para ele que o artista compôs, em coautoria com seu grande amigo e sambista Arlindo Cruz, "Orgulho do Vovô". "Todo mundo tá apaixonado por essa música. Acho que muita gente foi avô neste ano (risos)". "Saudade da família sempre dá", completa, mais sério.

O músico admite estar um pouco nervoso com o novo repertório. Insatisfeito, ele marcou um ensaio a mais na semana. Foram cinco. "É uma coisa natural. A gente fica nervoso. Depois vamos nos acostumando".

Zeca Pagodinho - Credicard Hall (Av. das Nações Unidas, 17.955, Santo Amaro). Tel. (011) 4003-6464. Amanhã e sábado, às 22h. De R$ 70 a R$ 200.

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