Wayne Shorter testa limites do público no BMW Jazz Festival

Com performance sem concessões, saxofonista espantou parte da plateia no Auditório Ibirapuera

Augusto Gomes, iG São Paulo |

Jorge Rosenberg/iG
O músico Wayne Shorter
O status de lenda viva do jazz não deixou Wayne Shorter acomodado. Aos 77 anos, tendo no currículo passagens pelo segundo quinteto de Miles Davis e pelo Weather Report e composições clássicas como "Footprints", o músico teria tudo para viver só das glórias do passado. Mas o que se viu no show de ontem no primeiro dia do BMW Jazz Festival, realizado no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, foi um artista sem medo de experimentar. Experimentou tanto que inclusive assustou boa parte do público.

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A apresentação começou quase à 1h da madrugada. No início, Shorter parecia inseguro: não parava de mexer no pedestal do microfone e nos suportes das partituras e de reclamar do volume de seu saxofone, que nos primeiros minuto da apresentação realmente oscilou entre o muito alto e o muito baixo, mas depois foi normalizado. Também aparentava cansaço. Culpa da longa viagem de Buenos Aires até São Paulo: por causa das cinzas da erupção do vulcão Puyehue, ele e sua banda tiveram que fazer parte do trajeto de ônibus.

A primeira música da noite teve mais de meia hora de duração. Shorter e sua banda iam passando de um tema para outro, sem dar tempo para o público relaxar. Nenhuma melodia assobiável, nenhum ritmo para acompanhar batendo o pé. O segundo número seguiu pelo mesmo caminho e incluiu até uma desconstrução de "Aquarela do Brasil", que teve trechos tocados pelo pianista Danilo Perez. Na terceira e última música, Shorter decidiu facilitar e fez um número mais direto. Mas, a essa altura, boa parte do público já havia ido embora.

Ele foi a terceira e última atração da primeira noite do BMW Jazz Festival, que teve ainda outros dois saxofonistas. O primeiro foi o também veterano Billy Harper, que abriu o evento com seu jazz fortemente inspirado por John Coltrane. A primeira música era puro Coltrane até no nome, "Ilumination". Em cerca de uma hora de performance, ele e sua banda (em que se destacou a ótima pianista Francesa Tanksley) se saíram muito bem nos números mais intensos, e não tão bem nos mais suaves.

Em compensação, Joshua Redman, segunda atração da noite, foi irretocável. Acompanhado dos grandes Reuben Rogers (baixo) e Greg Hutchinson (bateria), Redman impressionou logo na abertura, com uma espetacular versão do standard "The Surrey with the Fringe on Top", de Rodgers & Hammerstein. A econômica formação da banda permitiu que cada um dos três tivesse espaço de sobra para brilhar, fosse nas músicas mais suaves ("Autumn in New York"), fosse nas mais energéticas ("Insomniac"). O público se entusiasmou tanto que eles voltaram para um bis não previsto no roteiro.

O BMW Jazz Festival continua neste sábado e domingo, em São Paulo. Na segunda e na terça, acontece a edição carioca do evento. Veja abaixo a programação:

Auditório Ibirapuera (São Paulo)

Sábado (11) a partir das 21h
Zion Harmonizers
Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz
Sharon Jones & The Dap-Kings

Domingo (12) a partir das 21h
Tord Gustavsen Trio
Renaud Garcia-Fons
Marcus Miller

Área externa do Auditório Ibirapuera (São Paulo)

Domingo (12), a partir das 10h
10h – Funk Off Brass Band Parade
17h - Joshua Redman Trio
17h30 - Sharon Jones & The Dap-Kings
19h – Filme "Jazz on a Summer’s Day"

Teatro Oi Casa Grande (Rio de Janeiro)

Segunda-feira (13) a partir das 21h
Wayne Shorter Quartet
Joshua Redman Trio

Terça-feira (14) a partir das 21h
Marcus Miller
Sharon Jones & The Dap-Kings

Teatro Castro Alves (Salvador)

Segunda-feira (13) a partir das 21h
Sharon Jones & The Dap-Kings

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