Vocalista do Black Keys lança CD solo acessível

Dan Auerbach fala sobre álbum Keep it Hid e sua turnê de divulgação

New York Times |

No mês passado, Dan Auerbach subiu no palco do Terminal 5, clube noturno de Manhattan, e saudou a platéia levantando o braço com o punho cerrado. Que bom ver vocês, disse ele. Somos o Black Keys de Akron, Ohio. Em seguida, ele tirou um riff de guitarra, dando início a uma onda de distorções, e começou a cantar um dos blues-rock fortes e realistas da banda.

Aquela era a primeira apresentação dos dois shows com ingressos totalmente esgotados do Black Keys, um duo rouco de rock de garagem com um vigoroso fã-clube. É a mesma coisa de sempre, entoou Auerbach no refrão da canção. Ele estava trabalhando com o baterista Patrick Carney, seu parceiro de banda desde os tempos de colégio, e como sempre ele carregava sozinho o fardo da melodia.

As circunstâncias serão diferentes na nova turnê de Auerbach. Ele contará com uma banda completa e irá apresentar Keep it Hid (Nonesuch), seu primeiro álbum solo, um trabalho muito mais intimista e menos exposto do que fazia com o Black Keys. Ele também estará tocando sem Carney, e provavelmente com uma guitarra nova.

No dia seguinte ao show no Terminal 5, Auerbach empoleirou-se em um banquinho no Rivington Guitars na região nova-iorquina do East Village, tocando uma Gibson SG Junior de 1965 que ele havia arrancado da parede. A guitarra precisava de alguns ajustes, mas ele estava pensando em usá-la naquela noite, pois sua pesada Les Paul já estava lhe causando algum estrago. Com toda a agitação dos shows acabo me sentindo como um velhaco quando acordo de manhã, disse ele.

Aos 29 anos, Auerback pelo menos pode ser classificado como uma alma velha: o álbum Keep it Hid muitas vezes parece ter brotado de um túmulo psicodélico. Gravado em um estúdio caseiro na cidade de Akron, onde vive com sua esposa e sua filha, o álbum traz guitarras elétricas e acústicas, harmonias vocais sobrepostas, a presença ocasional do baixo vertical, e o lamento clássico de um teclado Mellotron.

Porém, o álbum não é exatamente retrô ou enigmático. O som do Black Keys é um blues sujo, escachado, barulhento, imundo e acho esse álbum um pouco mais acessível, disse Nic Harcourt, DJ e ex-diretor musical da rádio californiana KCRW-FM, que proporcionou ampla veiculação ao álbum Keep it Hid no mês passado. Detesto usar esta palavra, mas está mais acessível, completou Harcourt. Posso ouvir Neil Young no álbum e também Tom Waits. O blues continua presente, mas tem-se a sensação de ouvir um disco feito por um compositor.

Auerbach descreveu o álbum como algo diferente de um afastamento. Venho gravando com outras pessoas desde meus 15 anos, eu apenas nunca tinha tido a oportunidade de lançar, disse ele durante o almoço no Lower East Village.

Durante seus anos de formação, Auerbach experimentou a música como um artefato ou um ofício. Seu primo Robert Quine, morto em 2004, era um guitarrista conceituado. Sua mãe era professora de piano clássico que veio de uma família de músicos bluegrass. Seu pai, que comercializava antiguidades, tinha uma eclética coleção de discos e o hábito de ouvir música. A casa estava sempre repleta de arte marginal, disse Auerbach. Então, mesmo antes de ser músico, cresci apreciando coisas que não eram perfeitas.

O blues cabe perfeitamente nesta regra, especialmente depois que Auerback começou a tocar guitarra. Eu era obcecado pelo blues elétrico de Memphis. Auerbach aprimorou sua música tocando em clubes de blues, mas foi ao se conectar com Carney que as coisas fizeram sentido. Logo que Pat e eu começamos a tocar juntos, nosso som já era igualzinho ao que fazemos hoje. Eles formaram uma dupla, pois não conhecíamos mais ninguém que fizesse música, disse Auerbach. Em seguida, ele completou: Conseguimos um contrato com uma gravadora sem nunca termos feito um show.

O White Stripes recentemente introduziu um formato de guitarra e bateria ao rock mainstream, o que não causou mal algum. Após um punhado de álbuns aclamados em selos independentes, o Black Keys assinou contrato com o Nonesuch em 2006.

Attack & Release , lançado no ano passado, foi notável ao intensificar o som da banda com teclados, vocais ao fundo e até mesmo clarinete Produzido por Danger Mouse, a metade mais magricela da dupla Gnarls Barkley, marcou um distanciamento da austeridade em direção a mais textura. O álbum também inclui algumas canções que Auerbach vinha escrevendo para ele mesmo.

Tive a sensação que estava chegando a um bom lugar, disse ele, relembrando um período extraordinariamente produtivo de criação musical. Ele criou grande parte do conteúdo de Keep it Hid naquela época, inclusive a faixa título, uma narrativa do tipo que ele costuma evitar. As canções têm um tom sombrio - a faixa Trouble Weighs a Ton é seguida de Heartbroken, in Disrepair ¿ mas trazem um efeito estimulante, favorecendo alguém que diz encontrar a felicidade na música infeliz.

Auerbach descartou a sugestão de que sua carreira solo causaria o rompimento do Black Keys. Somos como irmãos, disse ele, falando sobre sua relação com Carney. Mas ele acrescentou que continuaria seus projetos independentes. São duas coisas totalmente diferentes, disse ele. Duas coisas que vivem e respiram de forma diferente.

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